Reunião de 17/09/2026

Reunião de 17/09/2026

 

Presentes (todos a distância):  Alessandra Folha Mos Landim, Ana Lúcia Guedes-Pinto, Arlete Fernandes Higashi, Arthur Ribeiro Costa e Silva, Beatriz Amorim de Azevedo e Silva, Fábio Luiz de Castro Dias, Giulia C. Gramuglia Araujo, Igor Bezerra de Mesquita, Roberto Medida, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Taciane Domingues Ferreira, Valentina Nicolino Pereira, Urbano Cavalcante da Silva Filho, Yuri Andrei Batista Santos.

 

Pauta:

- Informes

- Jornada “Por uma filosofia do ato” em dezembro de 2026 (11/12/26)

- Discussão do artigo de “Democracia e eleições francesas: uma análise de discursos comparativa de notícias no jornalismo digital brasileiro e francês” de Alessandra Folha Mos Landim (UNIVESP-USP-Diálogo)

- Discussão do texto “Por uma filosofia do ato” nas reuniões do Diálogo

 

 

Reunião:

 

Às 15h do dia 17 de setembro de 2026, foi iniciada a reunião do Grupo de Pesquisa Diálogo (USP-CNPq).

 

Na seção de informes, demos as boas-vindas à doutoranda Beatriz Amorim de Azevedo e Silva, que chegou recentemente de um estágio de um ano (BEPE-FAPESP) na Université Sorbonne Nouvelle, sob a supervisão da professora Sandrine Reboul-Touré.

 

A professora Ana Lúcia Guedes-Pinto anunciou o seguinte evento para o ano que vem: 24o COLE - Congresso de Leitura do Brasil, a ser realizado na Unicamp, de 5 a 8 de julho de 2027.

 

Em seguida, foram anunciados novamente os dois números temáticos: um na revista Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso - “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)” - com prazo de submissão em 30/06/2026; e outro no periódico Linha d’Água - Carnaval, riso, ambivalência, grotesco e discurso em “A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento” de Mikhail Bakhtin, com prazo de submissão em 30/08/2026. Ambos os números resultam do Colóquio “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)” ocorrido na Universidade de São Paulo, em 04 e 05 de dezembro de 2025. O número da Bakhtiniana encerrou o prazo de submissão em 15/09/26, e o da Linha d’Água encerrará no final setembro.

 

Na sequência, foi continuada a organização da jornada sobre o livro “Para uma filosofia do ato” (1919-1924), em 11/12/2026, com a distribuição das seguintes atividades:

- Ana Lúcia Guedes-Pinto, Vanessa Fonseca Barbosa – mediação de mesas

- Alessandra e Arlete – café

- Beatriz e Giulia – inscrições e pastas

- Yuri – artes gráficas

- Certificados – Urbano

- Pôsteres – Arthur, Valentina, Pedro

- Palestrantes das mesas acertados: Alan Silus, Arthur Ribeiro, Ekaterina Vólkova Américo, Fábio Luiz de Castro Dias, Juliana F. Martone, Márcia Maesso, Maria Inês Noel Ribeiro, Roberto Medina, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Urbano Cavalcante da Silva Filho, Vânia Torga.

 

Em seguida, passamos à discussão do artigo “Democracia e eleições francesas: uma análise de discursos comparativa de notícias no jornalismo digital brasileiro e francês” de Alessandra Folha Mos Landim (Diálogo-USP). Os integrantes destacaram a atualidade e a pertinência do artigo e sugeriram os seguintes ajustes: numerar o excertos do corpus, atualizar conceitos da Análise do Discurso Comparativa em texto de Patricia von-Münchow de 2021, diferenciar as historicidades do Brasil e da França ao conceituar as culturas discursivas, mudar “advento da internet” por “massificação da internet”,  substituir imprensa” por “veículo de comunicação” ou “empresa jornalística”, justificar a escolha dos “veículos de comunicação”, explicitar as categorias de análise e delimitar o objetivo.

 

Por fim, foi dada continuidade à discussão do texto “Por uma filosofia do ato” (1918-1924) com a leitura de dois parágrafos: “O pensamento participativo...” e “O conteúdo semântico abstraído do ato [akt-postúpok]”. No primeiro parágrafo, M. Bakhtin, após afirmar que o “pensamento participativo” está presente em diversos momentos da história da filosofia, novamente estabelece um diálogo com a Crítica da razão pura (Petrópolis: Vozes, [1781/1904[1]]. B627 ou p. 466) ao citar a passagem da seção “Da impossibilidade de uma prova ontológica da existência de Deus”, em que Kant iguala o conceito ao objeto “Ambos têm de conter precisamente o mesmo, e por isso nada mais pode ser acrescentado ao conceito”. O “meramente possível” do conceito (o pensado pelo “eu”) contém em si a realidade do objeto: “Cem táleres reais não contêm minimamente nada a mais do que cem táleres possíveis” (Kant, I. Crítica da razão pura. Trad. F. C. Mattos, 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2015 [1781/1904]. B627 ou p. 466). Em outros termos, o objeto não acrescenta nada à possibilidade própria do conceito. Já Bakhtin, ao afirmar que “os táleres historicamente e unicamente existentes na realidade por mim definida de uma maneira única são muito mais pesados” (M. M. Bakhtin obras reunidas vol. 1. 2003[1918-1924]. p. 12), conclui que “o existir único historicamente real é maior e mais pesado do que o existir único da ciência teórica, mas essa diferença de peso, evidente para uma consciência viva e vivenciadora, não pode ser definida em categorias teóricas.” Ou seja, essa polêmica com a prova ontológica de Kant é utilizada por Bakhtin para defender ser a existência real e histórica mais importante do que o conhecimento postulado pela ciência teórica.

No segundo parágrafo discutido, Bakhtin descreve que o ser humano do ato histórico responsável e individual é aberto, assume riscos e é inconcluso, enquanto que, no mundo das construções teóricas, o ser humano é pré-determinado e concluído e nele é impossível qualquer orientação prática na vida. Esse mundo teórico “é obtido por meio de uma abstração fundamental do meu existir único e do significado moral desse fato, “como se eu não existisse” (M. M. Bakhtin obras reunidas vol. 1, 2003[1918-1924]. p. 12-13). Se considerarmos a polêmica com I. Kant no parágrafo anterior, e em especial com a “Crítica da razão pura”, o mundo teórico corresponderia ao sujeito gnosiológico ou do conhecimento constituído por faculdades necessárias e universais responsáveis pela percepção objetiva da realidade. No entanto, deve-se considerar que a crítica bakhtiniana ao teoreticismo - que perpassa todo o texto “Por uma filosofia do ato” - parece incidir não só sobre Kant, mas também sobre outros sistemas teóricos.

 

A reunião foi encerrada às 17h10.

 

[1] A primeira data refere-se à primeira edição, e a segunda ao texto base da tradução.