Reunião de 21/08/2026

Reunião de 21/08/2026

 

Presentes (todos a distância):  Alessandra Folha Mos Landim, Ana Carolina Pais, Ana Lúcia Guedes-Pinto, Arlete Fernandes Higashi, Arthur Ribeiro Costa e Silva, Beatriz Amorim de Azevedo e Silva, Fábio Luiz de Castro Dias, Giulia C. Gramuglia Araujo, Jackeline Mendes Brandão, Pedro Henrique da Silveira Nunes, Rafael Schneider, Roberto Luis Medida Paz, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Valentina Nicolino Pereira, Urbano Cavalcante da Silva Filho.

 

Pauta:

- Informes

- Jornada “Por uma filosofia do ato” em dezembro de 2026 (11/12/26)

- Discussão do artigo “A questão da poética sociológica no periódico soviético Literatura e Marxismo (1928-1931): uma primeira investigação historiográfica” de Fábio Luiz de Castro Dias (USP-Fapesp)

- Discussão do texto “Por uma filosofia do ato” nas reuniões do Diálogo

 

Reunião:

 

Às 15h do dia 21 de agosto de 2026, teve início a reunião do Grupo de Pesquisa Diálogo (USP-CNPq).

 

Na seção de informes, foi comemorada a defesa da tese de Taciane Domingues Ferreira, “Sobre a diversidade de construções linguísticas e sua influência no desenvolvimento espiritual do gênero humano, uma tradução inédita da obra canônica de Wilhelm von Humboldt”, ocorrida no dia 03/08/26, segunda-feira, às 14h, na sala dos professores no. 114 do prédio da Administração da FFLCH.

 

Em seguida, foram anunciados novamente os dois números temáticos: um na revista Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso - “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)”- com prazo de submissão em 30/06/2026; e outro no periódico Linha d’Água - Carnaval, riso, ambivalência, grotesco e discurso em “A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento” de Mikhail Bakhtin, com prazo de submissão em 30/08/2026. Ambos os números resultam do Colóquio “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)” ocorrido na Universidade de São Paulo, em 04 e 05 de dezembro de 2025

 

Urbano comunicou sobre o lançamento do Dossiê Temático da Revista Letras Escreve da UNIFAP (Qualis A3): "Contribuições dos estudos linguístico-discursivos para o ensino de línguas", organizado por Magno Santos Batista (UEAP), Michelle Araújo de Oliveira (UEAP), Agildo Santos Silva de Oliveira (UNEB) e Urbano Cavalcante Filho (IFBA/UESC). Do nosso grupo, tivemos publicados os artigos: "COMO SE ENTENDE LÍNGUA, COMO SE ENSINA LÍNGUA:  Imagens de língua em videoaulas de língua portuguesa no YouTube e sua influência na sua didatização" e o artigo "ENSINO DE LÍNGUAS EM PERSPECTIVA DIALÓGICA E INTERCULTURAL: Contribuições teóricas e práticas", de Yanê Batista Santos Lins, Urbano Cavalcante Filho e Yuri Andrei Batista Santos.

 

Na sequência, foi continuada a organização da jornada sobre o livro “Para uma filosofia do ato” (1919-1924), em 11/12/2026, com a distribuição das seguintes atividades:

- Ana Lúcia Guedes-Pinto, Vanessa Fonseca Barbosa – mediação de mesas

- Alessandra e Arlete – café

- Beatriz e Giulia – inscrições e pastas

- Yuri – artes gráficas

- Certificados – Urbano

- Pôsteres – Arthur, Valentina, Pedro

- Palestrantes das mesas acertados: Maria Inês Batista Santos, Vânia Torga, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Fábio Luiz de Castro Dias, Juliana F. Martone, Ekaterina Vólkova Américo, Urbano Cavalcante da Silva Filho, Roberto Medina e Márcia Maesso, Arthur Ribeiro Costa e Silva.

Na sequência, passamos à discussão do artigo “A questão da poética sociológica no periódico soviético Literatura e Marxismo (1928-1931): uma primeira investigação historiográfica” de Fábio Luiz de Castro Dias (USP-Fapesp). Foi destacada a relevância do artigo à compreensão da poética sociológica desenvolvida na União Soviética do final dos anos 1920 e início dos anos 1930 e seu carácter informativo sobre aspectos historiográficos do contexto intelectual da época. O artigo enseja uma continuidade para evidenciar em que a poética sociológica de Valentín Volóchinov e Pável Medviédev se distingue ou se aproxima das proposições dos demais autores soviéticos do periódico Literatura e Marxismo.

 

Por fim, foi dada continuidade à discussão do texto “Por uma filosofia do ato” (1918-1924) com a leitura de três parágrafos a começar por “O fato de que meu ativismo responsável...” e finalizar com o parágrafo “O mundo teórico abstrato...”. Nesse momento, M. Bakhtin entra em diálogo crítico com obra do filósofo Immanuel Kant, em especial com a “Crítica da razão pura” e a “Crítica da razão prática”. M. Bakhtin valoriza a “revolução copernicana de Kant”, que mudou a direção da filosofia ao propor a investigação da dimensão transcendental do conhecimento, ou seja, das capacidades ou faculdades humanas a priori (princípios ou leis ínsitas próprios/as da racionalidade humana), que possibilitam o conhecimento dos objetos do mundo. Enquanto I. Kant propõe um sujeito lógico universal garantidor da possibilidade de conhecimento objetivo do mundo, M. Bakhtin está interessado em investigar o indivíduo histórico do ato responsável. M. Bakhtin questiona o dualismo entre sujeito gnosiológico e indivíduo do ato cognitivo em sua realidade histórica individual.

Na sequência, M. Bakhtin faz uma denúncia sobre o perigo da separação entre, por um lado, a cognição composta pelo conteúdo e pelo sentido e, por outro, o conhecimento produzido pelo ato histórico da sua realização (um ato cognitivo), ao apontar que a tecnologia guiada exclusivamente por suas leis imanentes e separada do ato ético responsável pode afetar a vida de uma maneira aniquiladora e destrutiva. Neste momento, Arthur Ribeiro destacou que o texto “Para uma filosofia do ato”, escrito aproximadamente entre 1918 e 1923, foi iniciado justamente no ano do fim da Primeira Guerra Mundial, um dos momentos em que a tecnologia irrompeu na vida de maneira destrutiva e mortal.

Por fim, no terceiro parágrafo, M. Bakhtin afirma a pertinência do “mundo teórico abstrato” e de suas leis próprias, porém reafirma que esse mundo não dá conta da historicidade única e viva. Para M. Bakhtin, esse conhecimento teórico não pode servir de fundamento à filosofia primeira (prima filosofia), pois não abarca o existir concreto e único em seu todo possível. Na menção bakhtiniana à filosofia primeira (prima filosofia), Fábio Castro destacou a interlocução com Aristóteles, cabendo considerar, conforme já apontado também por outros estudiosos da obra de M. Bakhtin, a obra do filósofo da antiguidade grega.

 

A reunião foi encerrada às 17h20.