Reunião de 09/06/2026
Presentes (todos a distância): Alessandra Folha Mos Landim, Ana Lúcia Guedes-Pinto, Beatriz Amorim de Azevedo e Silva, Fábio Luiz de Castro Dias, Giulia C. Gramuglia Araujo, Guilherme José Correia, Pedro Henrique da Silveira Nunes, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Valentina Nicolino Pereira, Vânia Lucia Menezes Torga, Yuri Andrei Batista Santos.
Pauta:
- Informes
- Calendário de reuniões do segundo semestre de 2026
- Jornada “Por uma filosofia do ato” em dezembro de 2026 (11/12/26)
- Discussão do artigo “Nós vamos sorrir”: o riso como resistência discursiva em Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva - Yuri Andrei Batista Santos (Diálogo, USP/ Université Paris Est Créteil)
- Discussão do texto “Por uma filosofia do ato” nas reuniões do Diálogo
Reunião:
Às 15h do dia 09 de junho de 2026, teve início a reunião do Grupo de Pesquisa Diálogo (USP-CNPq).
Na seção de informes, foi comemorada a defesa da tese de Ana Carolina Pais, A literatura fantástica de A Song of Ice and Fire em contrastes de línguas/culturas: um estudo sobre a tradução da carnavalização e do realismo grotesco do inglês estadunidense para o português brasileiro, ocorrida no dia 29/05/26, sexta-feira, às 14h, na sala dos professores no. 114 do prédio
Em seguida, foram anunciados novamente os dois números temáticos: um na revista Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso - “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)”- com prazo de submissão em 30/06/2026; e outro no periódico Linha d’Água - Carnaval, riso, ambivalência, grotesco e discurso em “A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento” de Mikhail Bakhtin, com prazo de submissão em 30/08/2026. Ambos os números resultam do Colóquio “60 anos de A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento (1965-2025)” ocorrido na Universidade de São Paulo, em 04 e 05 de dezembro de 2025
Em seguida, foram agendados os encontros do segundo semestre que ficaram assim:
21/08 – sexta-feira – às 15h – artigo de Fábio Luiz de Castro Dias
17/09 – quinta-feira – às 15h – artigo de Alessandra Folha Mos Landim
23/10 – sexta-feira – às 15h – artigo da Giulia Gramuglia Araújo
19/11 – quinta-feira – às 15h – artigo Yuri Andrei Batista Santos
Na sequência, foi continuada a organização da jornada sobre o livro “Para uma filosofia do ato” (1919-1924), em 11/12/2026, com a distribuição das seguintes atividades:
- Ana Lúcia Guedes-Pinto – mediação de mesas
- Alessandra e Arlete – café
- Beatriz e Giulia – inscrições e pastas
- Yuri – artes gráficas
- Palestrantes das mesas acertados: Maria Inês Batista Campos, Vânia Torga, Sheila Vieira de Camargo Grillo, Fábio Luiz de Castro Dias
Em seguida, passamos à discussão do artigo “Nós vamos sorrir”: o riso como resistência discursiva em Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva de Yuri Andrei Batista Santos. Primeiramente, foram destacadas a fluidez e qualidade da escrita do artigo; em seguida, apontou-se a pertinência do tema para o número temático da Bakhtiniana. Revista de estudos do discurso que comemora a tradução “A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento” (Ed. 34, 2025[1965); a categoria do riso foi mencionada, por um lado, pela indicação da obra “O riso e o risível na história do pensamento” de Verena Alberti (Jorge Zahar Editor/Editora Fundação Getúlio Vargas), e, por outro, por ser expressão da segunda propriedade mais importante do riso: a liberdade; sugeriu-se ainda a retomada dos cronotopos externos no decorrer da análise e a reflexão sobre a frase do título, que foi retirada do filme e não do livro.
Por fim, foi dada continuidade à discussão do texto “Por uma filosofia do ato” (1918-1924) com observações sobre o longo capítulo que se inicia com “Cada pensamento meu, junto com seu conteúdo, é um ato meu individual e responsável”. No texto em russo das “M. M. Bakhtin. Obras reunidas vol. 1” (2023[1919-2023]), há um parágrafo que ocupa quase três páginas, mas que foi dividido em cinco parágrafos pelos tradutores Vadim Liapunov, para o inglês, e Tatiana Bubnova, para o espanhol. A discussão foi dividida nessas cinco partes sugeridas por esses tradutores.
M. Bakhtin inicia o parágrafo propondo o pensamento como ato, que é constituído por dois momentos: o seu conteúdo semântico formado pelo juízo universalmente válido, e o seu momento histórico-individual. A fonte do conteúdo semântico do ato pensamento está na primeira crítica de Immanuel Kant, “A crítica da razão pura”, que aborda o sujeito universal do conhecimento.
Em seguida, M. Bakhtin aponta que, embora esses dois momentos sejam parte do ato-pensamento, o momento do conteúdo do pensamento ou juízo teoricamente válido não é afetado pelo momento histórico-individual, em razão do caráter universal, necessário e a priori das categorias do pensamento do sujeito transcendental kantiano.
Na terceira parte do parágrafo, M. Bakhtin traz o conceito de “dever”, cuja origem está na segunda crítica de I. Kant, “A crítica da razão prática”. O filósofo russo propõe que a compreensão do dever, da ação prática na vida só pode se dar no âmbito da concretude histórica do fato individual, e não na verdade teórica em si do juízo.
Na quarta parte, M. Bakhtin afirma que o dever adquire sua validade na unidade da vida única e responsável de um ser humano.
Por fim, na quinta parte do parágrafo, M. Bakhtin nega tanto a ética formal kantiana, tomada como “um produto automático do pensamento humano”, quanto a ética material fundada em um conjunto de normas que limita a liberdade humana, para propor que o dever é uma categoria específica da atividade-ato (pensamento, ato, sentimento e mesmo palavras, como se verá adiante).
A reunião foi encerrada às 17h15.
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