Cadernos de resumos/Résumés/Аннотации

CADERNO DE RESUMOS

I Colóquio Brasileiro-Franco-Russo em Análise de Discurso (CBFR-AD)

Análise de discursos e comparação: questões teóricas, metodológicas e empíricas

Data: 7, 8 e 9 de Novembro de 2017

Local: Auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP - Campus SP


Mesa de abertura

L’analyse du discours en mouvement : quelles catégories discursives pour les blogs de vulgarisation scientifique ?

Sandrine Reboul, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle

L’analyse des blogs de vulgarisation scientifique invite à s’interroger sur les limites de l’analyse du discours. On pourra d’abord s’étonner d’un déploiement de la vulgarisation scientifique dans des espaces discursifs impossibles à envisager en amont, certes parce qu’internet n’existait pas mais surtout parce que les figures du vulgarisateur étaient identifiées (scientifique ou journaliste vulgarisateur) et semblaient stables, le “troisième homme”. Dans cette analyse comparative à l’intérieur d’une langue, le français, on cherchera à identifier une possible “communauté ethnolinguistique” autour des blogs, à moins qu’il ne soit plus approprié de parler de “sphères langagières” ou bien de croisement de différentes sphères. Parler de “sphères” d’activités langagières, c’est aussi s’interroger sur le dialogisme et les genres. Comment analyser un discours hétérogène et en mouvement qui est traversé par de nombreux énonciateurs ? Derrière le discours de vulgarisation scientifique, il y a les discours des scientifiques (hétérogénéité constitutive) mais avec les blogs émergent des discours “commentés”, des discours “re-diffusés” dans lesquels peuvent toujours intervenir de nouveaux énonciateurs. L’ouverture sur le plurilogue imprévisible que permet le blog conduit vers un/des discours multiforme(s). Peut-on parler de nouveau genre ? Faut-il recourir à un genre “hybride”. Enfin, on soulèvera la question du sémiotique. Comment l’analyse du discours peut-elle englober cet au-delà du langagier apporté par les “technologies discursives” ?

Linguoculturologia: a ciência sobre a língua e a cultura

Dária Aleksándrovna Chúkina, Universidade Górnyi – Saint Petersburg

O objetivo desta apresentação é mostrar ao público brasileiro os desenvolvimentos modernos de cientistas russos no campo da comunicação, linguística, estudos culturais e psicologia. Da intersecção dessas disciplinas foi formada, durante as décadas de 1990 e 2000, a linguoculturologia – uma  ciência da língua e da cultura, da influência mútua da língua sobre cultura e da cultura sobre a língua. Esta disciplina estuda como a cultura se reflete e refrata na linguagem e como a linguagem é formada sob a influência da cultura. A língua pode ser compreendida como um meio de reflexão concentrada da experiência coletiva. Nesta apresentação faremos: i) um breve apanhado dos antecedentes da linguoculturologia; ii) menção às outras ciências que exercem influência sobre ela e iii) abordaremos as diferentes definições sobre a linguoculturologia, definindo-a por fim como uma ciência filológica teórica que explora as diferentes maneiras de representar o conhecimento sobre o mundo numa língua dada. O objetivo desta ciência, portanto, é identificar oposições básicas da cultura manifestadas no discurso através  de unidades linguísticas nos seguintes níveis: o vocabulário não equivalente e as lacunas; as unidades linguísticas mitologizadas; fundações paremiológica e fraseológica da linguagem; estalões, estereótipos e símbolos; metáforas e figuras de linguagem, dentre outras. Unidades fraseológicas são definidas como unidades linguísticas ricas de significado cultural que podem atuar como um sistema de signos, ao invés de uma linguagem natural. Usaremos exemplos dessas unidades em russo, faremos sua comparação com unidades fraseológicas do japonês e abordaremos as terminologias e unidades do estudo linguoculturológico (logoepistema, linguoculturema, linguosapientema, conceito). Por fim, discutiremos a importância da imagem linguística do mundo, conceito primeiramente apresentado no final do século XIX/início do século XX. Essas questões devem formar um quadro geral da linguoculturologia. Essa disciplina compara línguas e culturas diferentes, a exemplo de língua russa, porém ainda não há trabalhos com o português.

Construindo fundamentos teórico-metodológicos para análises comparativas de discursos: os documentos oficiais de educação básica no Brasil e na Rússia

Sheila Vieira de Camargo Grillo Diálogo (GP Diálogo/CNPq/USP), Universidade de São Paulo

Nesta conferência, daremos continuidade à construção de fundamentos teórico-metodológicos para análises comparativas de discursos iniciados em dois trabalhos anteriores (GRILLO/HIGASHI, no prelo; GRILLO/GLUSHKOVA, 2016). A elaboração dessa abordagem ancora-se, por um lado, em conceitos advindos das obras do Círculo de Bakhtin e, por outro, nas análises comparativas desenvolvidas no CLESTHIA-Cediscor. Da obra bakhtiniana, tomaremos:1) o princípio da consciência da relatividade ideológico-discursiva e do caráter humano; 2) a análise da literatura na relação com as demais esferas culturais contemporâneas e com obras literárias do passado próximo e distante, a fim de identificar visões e assimilações de aspectos do mundo - tradicionais e inovadores - que se revelam de modo privilegiado nos gêneros; 3) o encontro dialógico entre culturas permite não só uma melhor compreensão da cultura alheia, mas também um enriquecimento mútuo entre elas. A própria base da existência do sentido é o encontro entre o um e o outro. Dos trabalhos do Cediscor: 1) o conceito de “cultura discursiva” como as manifestações discursivas das representações sociais em circulação em uma determinada comunidade sobre os objetos em sentido amplo e sobre os discursos a respeito desses objetos, pois o conceito de “cultura discursiva” tem a vantagem de permitir a descrição de traços culturais comuns que ultrapassam uma comunidade etnolinguística; 2) a assunção do gênero discursivo como tertium comparationis pertinente para a comparação do semelhante e para a configuração da comunidade discursiva, uma vez que o gênero pode ser o lugar de encontro, na teoria bakhtiniana, entre as influências de outras esferas e de constatação da influência de autores de outras línguas bem como de obras do passado. Esses princípios serão aprofundados e ampliados por meio da análise comparativa entre a “Base Nacional Comum Curricular” (Brasil, 2016) e Padrão educacional do governo federal para o ensino médio (Rússia, 2014/2015).


Mesa 1

L’analyse du discours contrastive, un voyage au cœur du discours

Patricia von MÜNCHOW, EDA, Université Paris Descartes

Dans cette conférence, je présenterai d’abord le cadre théorique et méthodologique de « l’analyse du discours contrastive » (ADC) telle que je la pratique depuis une quinzaine d’années. C’est une approche qui se situe à l’intérieur des sciences du langage, au carrefour de l’analyse du discours française, de la linguistique textuelle et des approches contrastives ou « transculturelles ». Son objet est la comparaison de différentes cultures discursives, notion qui recouvre la construction/manifestation discursive des représentations sociales circulant dans une communauté sur les objets sociaux, d’une part, et sur les discours à tenir sur ces objets sociaux, d’autre part. C’est en tant que linguiste, en partant d’opérations discursives, que je m’efforce d’atteindre ces représentations sociales. On se concentrera ensuite, en articulant l’évolution de l’ADC à celle de l’analyse du discours française, sur l’attitude adoptée face à l’hétérogénéité du discours, sujet qui croise la question du traitement de ce qui est non-dit et « peu-dit ». Ce faisant, on montrera ce qu’apporte l’ADC sur le plan descriptif et notamment ce en quoi une étude contrastive de deux corpus permet de dépasser la somme des résultats des études non contrastives de chacun des corpus. À l’aide de quelques résultats de l’analyse d’un corpus de manuels scolaires d’histoire français et allemands, on montrera comment on a pu passer d’une conception plutôt (ou trop) homogène du discours à une plus grande prise en compte d’une certaine hétérogénéité discursive, hétérogénéité qui s’est d’abord imposée sur le plan descriptif et interprétatif avant d’être pensée sur le plan méthodologique et théorique en continuité de la réflexion « classique » en analyse du discours sur le préconstruit et des travaux plus récents sur les « prédiscours ».

 

O gênero entrevista oral científica sob uma análise comparativa discursiva

Maria GLUSHKOVA, Diálogo (GP/CNPq/USP), Universidade de São Paulo, FAPESP

O gênero de entrevista é um dos mais populares nos meios de comunicação. As mídias modernas exploram o estilo individual e a opinião do autor, sendo o gênero da entrevista uma forma de diálogo informal. A entrevista permite ao autor informar o público sobre eventos, projetos, problemas atuais e manifestar-se sobre questões importantes. Neste estudo, são analisadas entrevistas orais com cientistas sobre assuntos relacionados à ciência. Este gênero combina a expressividade e avaliações do autor com normas da comunicação pública e jornalística. Em parte, a subjetividade e a expressividade do entrevistado e do entrevistador explicam o uso de unidades coloquiais em suas respectivas falas. No entanto, a tendência a seguir normas da fala pública e os padrões do estilo científico gera recursos adicionais para este gênero: argumentação, a intenção de ser ou parecer objetivo, o manuseio de fatos e termos e a neutralidade do discurso. Esses recursos são implementados na natureza nominal do discurso, na originalidade da fraseologia (usando clichês e não unidades fraseológicas figurativas). Uma característica especial deste gênero são os diferentes níveis, a saber: o jornalista, agente que direciona o diálogo através de suas perguntas e leva em conta a recepção do leitor ou ouvinte, e o cientista, representante da ciência que responde as perguntas. A comparação discursiva neste sentido está feita com ênfase no fundo perceptivo (segundo Bakhtin) do leitor ou ouvinte. O tertium comparationis (a terceira parte da comparação) são as características do gênero nas duas línguas e culturas: o português do Brasil e o russo. O corpus da comparação representa ambas as línguas e comunidades etno-culturais. Os fundamentos teórico-metodológicos foram construídos na confluência entre a teoria bakhtiniana e a análise comparativa do discurso dos pesquisadores do Cediscor (Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3).


Mesa 2

Comparer des genres de discours en français et en japonais : questionnements théoriques et méthodologiques

Chantal CLAUDEL, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle, Université Paris 8 – Vincennes-Saint-Denis

Comparer des données issues d’un même genre de discours (interview de presse, courrier électronique, etc.) produit dans des langues et des cultures différentes – en l’occurrence, le français et le japonais – implique, préalablement à l’analyse, la nécessité de conduire une réflexion sur la nature des outils théoriques et méthodologiques à mobiliser pour mener à bien ses objectifs de recherche. Plus précisément, la démarche consiste à interroger les cadres théoriques à disposition dans les communautés ethno-linguistiques engagées dans l’étude pour en mesurer le degré de pertinence au regard du projet comparatif et construire un dispositif d’analyse s’accordant aux buts fixés. Le choix des catégories d’analyse obéit à la même logique. Leur mise en évidence doit s’effectuer non à partir de phénomènes caractéristiques d’un des idiomes, mais en fonction des spécificités des deux langues et cultures contrastées. En outre, qu’elles soient méta-cognitives, énonciatives ou pragmatiques, les catégories retenues sont à accorder aux données soumises à la comparaison. Ces orientations sont celles adoptées dans cet article qui prend pour point de départ la notion de genre de discours, pour ensuite éclairer la place revêtue par cette entrée en comparaison et rendre compte de son rôle de tertium comparationis ou invariant de la comparaison. Il s’en suit une illustration de la démarche privilégiée à travers la présentation de la façon dont s’est élaborée la notion métacognitive de “figure” pour étudier l’interview de presse, et du cheminement emprunté pour traiter certains actes de langage caractéristiques du courrier électronique à la faveur de la politesse linguistique.

 

Une analyse de discours contrastive des discours professionnels

Geneviève TRÉGUER-FELTEN, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle

Mise à l’épreuve de discours d’entreprise produits en langue maternelle ou en anglais lingua franca au sein de communautés ethnolinguistiques différentes, l’analyse de discours contrastive (ADC) (von Münchow, 2011) fait émerger des dissemblances d’ordre énonciatif, lexical ou syntaxique qui se conjuguent pour dessiner des portraits discursifs distincts. Interprétés à la lueur des apports de domaines aussi variés que l’ethnologie, la philosophie, ou la psychologie, ces portraits renvoient à des univers de sens distincts, propres aux cultures nationales en présence (d’Iribarne, 1989, 2008). Appliquée d’une part à des auto-présentations en anglais lingua franca (sur papier ou en version numérique) par lesquelles des entreprises françaises et chinoises cherchent à établir leur identité sur la scène internationale ; d’autre part aux bi-textes que représentent une même charte éthique en anglais et sa traduction en français, l’ADC prouve sa capacité à faire émerger des discours la réalité telle que la voient les locuteurs (Benveniste, 1966) et la trame sociale dans laquelle ils s’inscrivent (Bakhtine 1977[1929]), autrement dit, le contexte au sens large (Moirand, 2006). Après avoir exposé les modalités ayant présidé à l’usage de la méthodologie, nous prélèverons des exemples dans ces deux approches linguistiques différentes pour illustrer la manière dont l’ADC a permis de faire émerger la spécificité des univers de travail des entreprises françaises, chinoises et étatsuniennes, pourtant réputées unies par le discours au sein d’une même communauté professionnelle internationale (Swales, 1998).

 

Título: Análise contrastiva dos discursos de manuais de filosofia brasileiros e franceses: dificuldades e vantagens do método comparativo

Daniela Nienkötter Sardá (Fapesp/GP Diálogo-USP)

Nossa proposta de comunicação se insere no eixo das pesquisas em análise contrastiva de discursos. Apresentaremos os resultados da pesquisa realizada durante nosso doutorado, na qual comparamos os discursos de livros didáticos de filosofia brasileiros e franceses. Nessa pesquisa, buscamos as representações da filosofia suscetíveis de serem identificadas em um corpus composto de livros didáticos das duas comunidades etnolinguísticas analisadas. Mais que os resultados em si, importa, nesta comunicação, abordar alguns pontos que consideramos essenciais quando se trata de realizar uma comparação de discursos, principalmente no que tange às dificuldades que esse tipo de análise coloca. Como constituímos um corpus representativo das duas línguas e culturas analisadas? Quais foram os obstáculos pessoais enfrentados ao longo dessa pesquisa? Do ponto de vista material e institucional, quais foram as dificuldades encontradas? Eis algumas das questões que pretendemos elucidar ao longo da nossa comunicação. Por fim, apresentaremos as conclusões a que chegamos em nossa tese, graças ao método comparativo. 

Mesa 3

Comparaison et analyse du discours : l’exemple de la sémantique discursive en contraste

Michele PORDEUS RIBEIRO, Diálogo (GP/CNPq/USP), Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

Dans cette communication, je présenterai l’approche dans laquelle se développent mes recherches en comparaison et que j’ai récemment appelée « sémantique discursive en contraste ». Depuis ma thèse, soutenue en 2015, j’essaie de mettre en place une articulation entre sémantique et analyse du discours contrastive : dans cette approche, les discours, issus de langues et cultures diverses, sont abordés à partir d’un ensemble de mots précis, des mots-pivots, sur lesquels on fait porter une réflexion de nature sémantique à visée contrastive. L’analyse s’appuie sur la notion de « profil sémantique » et privilégie l’étude des cotextes dans lesquels se trouvent les mots sélectionnés. Afin d’illustrer la démarche, je propose d’étudier la façon dont la question de l’inégalité est abordée dans les champs politiques brésilien et français. Le corpus sur lequel se fonde l’étude est composé d’un ensemble de documents officiels produits par le Partido dos Trabalhadores brésilien et par le Parti socialiste français (chartes, déclarations de principes, délibérations). L’objectif de ce travail est d’établir le profil sémantique des mots « inégalité(s) » et « desigualdade(s) », à partir des constructions dans lesquelles ces mots se trouvent (« réduire les inégalités », « diminuir as desigualdades, etc.), mais aussi à partir des associations avec d’autres mots (« pauvreté », « pobreza », etc.). Je fais l’hypothèse que l’analyse contrastive mettra au jour des différences entre les corpus, des différences qui sont à mettre en lien avec les contextes des deux pays. L’étude des corpus sera précédée d’une analyse des discours des dictionnaires français et brésiliens (TLF, Le Petit Robert, Aurélio, Houaiss) : cette analyse permettra de faire ressortir les représentations qui sont associées aux mots de façon stable et partagée. Cette communication prolonge mes réflexions, présentées lors du dernier SIAD, sur le profil sémantique d’« inégalité(s) » dans la presse française.

A linguagem da Escola Semiótica de Tártu-Moscou e as traduções brasileiras

Ekaterina Vólkova Américo, Diálogo (GP/CNPq/USP), Universidade Federal Fluminense

O estudo comparativo dos textos dos integrantes da Escola Semiótica de Tártu-Moscou (1960-1980) em geral e de Iúri Lotman em particular, originalmente escritos em russo, e das suas traduções para a língua portuguesa representa um campo fértil para uma análise da recepção e da interpretação da linguagem "codificada" dos semioticistas russos no Brasil. Em nossa análise, partimos da tese, formulada por Valentin Volóchinov, de que palavra é um fenômeno ideológico par excellance que reflete e retrata a realidade circundante. A ideia sobre o papel essencial do contexto na análise semiótica foi desenvolvida posteriormente pela semiótica da cultura e, em especial por Iúri Lotman. Além disso, baseamos a nossa análise comparativa nas conclusões teóricas elaboradas no âmbito do Grupo de Pesquisa Diálogo, USP (GRILLO, GLUSHKOVA, 2015). Observamos a formação, após a Revolução de 1917, da nova linguagem soviética e, em contrapartida, o surgimento do novo discurso das ciências humanas que empregava as formas mais refinadas da linguagem esópica. O uso da linguagem codificada, nos trabalhos dos semioticistas soviéticos, foi motivado pelo desejo, por parte dos representantes da Escola, de serem compreendidos pelo círculo e não compreendidos por possíveis intrusos indesejáveis do governo soviético. O próprio termo central da Escola - os "sistemas modelizantes secundários" - foi sugerido por Vladímir Uspiénski com o objetivo de substituir a palavra "semiótica", associada à semiótica ocidental. Outro traço que observamos nos artigos é o seu caráter resumido: alguns deles foram até escritos em forma de teses. Objetivamos verificar se essas e outras peculiaridades dos textos russos foram preservadas e comentadas pelos tradutores brasileiros ou não, bem como analisar as soluções apresentadas por eles.

 

Traços de didaticidade na divulgação científica brasileira e francesa: uma análise dialógico-comparativa do discurso de CIÊNCIA HOJE E LA RECHERCHE

Urbano Cavalcante Filho - (IFBA/UESC/GP Diálogo/USP/CNPq)

Nesta apresentação, nosso objetivo é realizar uma análise dialógico-comparativa do discurso de divulgação científica de duas comunidades etnolinguísticas distintas: Brasil e França. O pressuposto teórico-metodológico que embasará o presente estudo resulta da confluência entre a teoria dialógica da linguagem do Círculo de Bakhtin e fundamentos da Análise Comparativa do Discurso, vertente teórica nascida no âmbito do Cediscor da Université Sorbonne Nouvelle, em Paris, na França. De um lado, o estudo parte da perspectiva da metalinguística bakhtiniana, cujo objeto são as relações dialógicas entre enunciados; de outro, a perspectiva comparativista, que visa comparar as dimensões culturais em produções discursivas distintas, descrevendo e interpretando, sob o parâmetro da comparabilité ("comparabilidade"), as regularidades e variações presentes nos diferentes projetos de dizer. O objeto de descrição, análise, interpretação e comparação das culturas discursivas da divulgação científica  serão os traces de didacticité ("traços de didaticidade") materializados linguístico-enunciativamente no gênero discursivo reportagem (que constitui o tertium comparationis do estudo) das revistas de divulgação científica Ciência Hoje (produção brasileira publicada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC) e La Recherche (produção francesa publicada pela Société d'éditions scientifiques).  


Mesa de encerramento

Exigences méthodologiques et apports théoriques des comparaisons entre genres discursifs d’une langue à l’autre et à l’intérieur d’une même langue

Sophie MOIRAND, Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

On reviendra d’abord de manière critique sur des travaux déjà publiés :  – sur les genres du discours : réflexions théoriques sur “les índices de contextualisation” dans le cadre de l’analyse du discours française (Moirand, Cahiers de praxématique 2000, en ligne sur revues.org),– analyses sur “les interactions sociodiscursives” en lien avec les concepts bakhtiniens (Moirand, Tranel 40, 2004, en ligne sur revues.org) – travaux sur les observables et les catégories (Moirand, à paraître dans Semiotica, 2017, en ligne sur archives-ouvertes.fr)], qui permettent de différencier les genres écrits et oraux à l’intérieur d’une même sphère d’activité langagière et d’une sphère d’activité à une autre (Grillo de Camargo, Linx 56, 2007, en ligne sur revues.org.). Ce retour critique conduira à mettre au jour les exigences méthodologiques d’un travail descriptif sur “les genres du discours” (Moirand 2003, en ligne sur scholar.google.fr et archives-ouvertes.fr), et de l’inscrire dans une perspective comparatiste (intralinguale ou interlingual, interdiscursive et intradiscursive). Car la réflexion sur les concepts, les catégories, et leur fonctionnement dans des travaux comparatistes, conduit in fine à s’interroger également  sur ce que ces analyses apportent aux conceptions théoriques du discours, ainsi qu’aux conceptions renouvelées d’une sémantique discursive centrée sur l’(in)stabilité du sens en discours, et ouverte sur les extérieurs du discours ainsi qu’aux relations langues/cultures. (Cislaru 2012, Langue française 188, 2015, Moirand dans RELIN, Revista de Estudios da Linguagem, v.26, n.3, 2016, Lecolle et Veniard éd. à paraître dans Langages, Claudel, von Münchow, Ribeiro et al., Cultures, discours, langues. Nouveaux abordages, Lambert-Lucas, 2013). Enfin, dans la mesure où cette communication intervient dans une table ronde de clôture, on essaiera de tenir compte des conférences et discussions qui auront lieu lors de cette rencontre.

Communication institutionnelle, publics cibles et représentation des savoirs : comparaison des fonctionnements discursifs interlocutifs

Florimond Rakotonoelina, Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

On se propose d’observer les discours de transmission des connaissances à partir de trois paramètres : premièrement, en prenant appui sur les sites des agences ou des missions gouvernementales – on parlera alors de communication institutionnelle, comme les sites gouvernementaux consacrés aux économies d’énergie, à la prévention des addictions, à l’interruption volontaire de grossesse, etc. ; deuxièmement, en tenant compte de la pluralité des publics envisagée par ce type de communication – ainsi, la communication institutionnelle de prévention contre la radicalisation (religieuse) ne vise pas seulement les publics adolescents mais aussi les parents ; troisièmement, en prenant pour référence, à l’intérieur d’un même domaine communicationnel, les mêmes objets de discours – par exemple, dans le cas de l’alimentation, les besoins nutritionnels tantôt pour l’adulte, tantôt pour l’adolescent, tantôt pour la femme enceinte, etc. Pour comprendre les fonctionnements discursifs interlocutifs, l’entreprise comparative sera triple : il s’agira d’abord de circonscrire/comparer les logiques pragmatiques qui régissent les domaines communicationnels – qu’est-ce qui distingue ou non une communication centrée sur la prévention contre la radicalisation et sur la prévention contre les addictions ? ; il s’agira ensuite, à l’intérieur d’un domaine et entre les domaines retenus, d’identifier/comparer les logiques énonciatives qui régissent la pluralité des publics cibles – qu’est-ce qui distingue un public adulte d’un public adolescent ? ; il s’agira enfin, à partir des connaissances constituées en objets de discours, de cerner/comparer les logiques éducatives (cognitives et sémantiques) qui les gouvernent par domaines et par publics – quand il s’agit de radicalisation ou d’addiction, comment fait-on savoir et pour qui?


COMUNICAÇÕES

O discurso da violência: Esquadrão da Morte nos clippings da editora Abril (1968-1985)

Aline de Jesus Nascimento (UNESP-Assis)

lini_nascimento@hotmail.com 

O Esquadrão da Morte (EM) foi uma milícia com o intuito de realizar uma espécie de profilaxia social, atuou de modo intensificado durante o período da ditadura militar no Brasil (1968-1985). Contava com o apoio não explícito do Estado, fato que permitiu a continuidade das suas atividades nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, assim como a propagação para outras partes do território do país. O presente trabalho visa entender os discursos de poder propagados na imprensa sobre as atuações do EM ao analisar o material em si e, a partir do mesmo, examinar a maneira como o Esquadrão da Morte era apresentado, observando-se mudanças e permanências ao nível do discurso adotado tanto pela imprensa quanto por indivíduos que se dispuseram a relatar suas experiências com esse grupo paramilitar. Para tanto, parte-se de um conjunto de recortes de jornais, reunidos ao longo de décadas pela Editora Abril e que foi doado para o Centro de Documentação e Apoio a Pesquisa (CEDAP), pertencente à UNESP/Assis, em dezembro de 2011, mais especificamente 54 recortes de jornal na pasta sob a rubrica Crime/Esquadrão da Morte- Caso Correinha. Astorige Corrêa de Paula e Silva que emprestou seu apelido a pasta, foi um policial conhecido por ter sido um dos líderes do grupo durante a sua atuação nas décadas de 60 e 70. Ressalta-se que a imprensa teve um papel essencial para informar a opinião pública sobre a existência do EM, seus integrantes e sua atuação, por este motivo, pretende-se rastrear os procedimentos usados no discurso da imprensa com a utilização da teoria de Michel Foucault de que não existe discurso que não seja controlado pelo poder.

O enunciado nunca é neutro: uma análise comparativa de discursos nas comunidades etnolinguísticas do Brasil e dos Estados Unidos

Ana Clara Neves Silveira (USP)

ana.clara.silveira@usp.br

Este projeto de iniciação científica teve como foco desenvolver uma análise comparativa de discursos sobre as perspectivas de língua materna em duas comunidades etnolinguísticas diferentes: Brasil e Estados Unidos, a partir de um corpus constituído de cinco enunciados do jornal brasileiro Folha de S. Paulo e cinco do jornal estadunidense The New York Times, ambos referentes ao segundo semestre de 2015. Para isso, os fundamentos teórico-metodológicos do trabalho de pesquisa foram os desenvolvidos pelo Círculo de Bakhtin, com enfoque no método sociológico presente nos trabalhos dos anos 1920, composto pelos conceitos de esfera da atividade humana, gêneros do discurso, enunciado, conteúdo temático e valor apreciativo ou avaliação social. Os enunciados foram analisados por meio de sua inter-relação com o contexto sócio-histórico-ideológico, visando apontar quais as semelhanças e diferenças existentes entre as duas comunidades etnolinguísticas quando o assunto é língua materna, e de que forma os elementos linguísticos, visuais, históricos, sociais, culturais, políticos e valorativos dos enunciados refletem e refratam a realidade como um todo. Com as análises realizadas, percebemos uma compatibilidade entre os gêneros estadunidense op-ed e o brasileiro artigo de opinião, e uma possível heterogeneidade do gênero estadunidense article, que se aproximou majoritariamente do gênero brasileiro reportagem, mas também apresentou semelhanças com o gênero artigo. Uma segunda descoberta foi que a perspectiva de língua presente nos enunciados demonstrou um caráter mais conservador e estático no Brasil do que nos Estados Unidos, que discutiu a língua como fenômeno e processo, apresentando-a de modo mais dinâmico e flexível, capaz de se unir a outras línguas, de transmitir imagens, de excluir ou incluir. Na comunidade brasileira, a língua não foi muito discutida e, na maioria das vezes, esteve ligada à educação.

 

Responsabilidade enunciativa no discurso escolar

Anderson FerreiraRamon Da Silva Chaves (PUC-SP)

andersonferreirasp94@gmail.com

Os três primeiros séculos de formação da cultura brasileira foram besuntados à escravidão do negro africano, sequestrado de sua terra de origem e obrigado ao trabalho em condições precárias e perversas. A discussão acerca destes séculos é parte essencial para a composição da identidade e alteridade negras na contemporaneidade brasileira. A instituição política-educacional, com isso, é parte responsável pela mediação dos temas étnico-raciais, visando às gerações que nortearão o processo de equidade e equilíbrio social. Nessa senda, a presente comunicação examina a responsabilidade enunciativa no discurso escolar contida no Caderno do Aluno da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo-SEESP, focalizando a disciplina de História no Ensino Fundamental II. Objetiva-se verificar a tensão entre o modo de enunciação e a necessidade do posicionamento social, corretor das falhas éticas na construção étnico-racial brasileira deste discurso, em conformidade com a Lei 10. 639/2003; identificar o modo de tratamento temático oferecido pela instância política-educacional à questão étnico-racial; e, por último, alocar a ideia de um arquienunciador como responsável pela enunciação. Para isso, selecionamos, como corpus de análise, a Situação de Aprendizagem contida no Caderno do 7º ano, 4º bimestre do Ensino Fundamental II. Fundamentamo-nos no quadro teórico-metodológico da Análise do Discurso em sua perspectiva enunciativo-discursiva do qual mobilizamos a categoria de responsabilidade enunciativa. O discurso escolar se caracteriza por um modo de enunciação mediativo, marcador de zonas textuais dependentes de um saber em seu estatuto de mediação epistêmica, que, no caso da questão étnico-racial brasileira, constrói um dizer silencioso acerca do enunciado. O silêncio enunciativo e o apagamento dos sujeitos históricos reproduzem as sociabilidades racistas. Contudo, no bojo do discurso escolar, visamos fornecer uma associação entre os estudos do discurso e as ciências sociais, a fim de incitar o posicionamento da instância político-educacional em relação à sociedade brasileira contemporânea.

 

O que é que o baiano tem?

Alissan Santos da Paixão (UNEB)

Fernando Novaes Franco (UNEB)

alissanpaixao@yahoo.com.br

Neste artigo, faz-se uma análise acerca da construção de uma dita identidade baiana, a partir da letra da música intitulada We are carnaval, composta pelo publicitário Nizan Mansur de Carvalho Guanaes Gomes, e de uma publicação institucional da Prefeitura de Salvador, do álbum TraduzinoSalvadô, em sua fanpage, no site de rede social (SRS) Facebook. Estes objetos de estudo, que retratam uma capital baiana de momentos históricos diferentes, são tomados comparativamente, no que tange à discursividade específica que os mobiliza a respeito da construção identitária baiana. Nisto, busca-se identificar os paralelos, regularidades, rupturas e continuidades na referida discursividade que une os dois objetos, uma vez que, a despeito da materialidade histórica dos sentidos, os discursos não desaparecem completamente, mas podem mesmo entrar e sair de circulação em momentos diferentes, sem jamais deixar de existir, sendo ressignificados pela história. Assim, com auxílio de Michel Pêcheux e Eni P. Orlandi, destacamos as formas do silêncio nessas discursividades em torno da baianidade, buscando trazer à tona os dizeres que são silenciados em favor de um discurso que tende à homogeneidade da categoria sujeito baiano, constituído historicamente e atravessado por condições materiais datadas e heterogêneas; além das condições materiais de produção que fazem essas discursividades emergirem. Para tanto, navegaremos ainda pela constituição histórica da Bahia/Brasil, problematizando a dissimulação ideológica que desenha uma Bahia homogênea, especialmente, através do discurso de turismo, no qual se desenha um retrato idílico de uma terra de deleites e um povo hospitaleiro e receptivo por natureza, marcado pelo intenso calendário de festividades, pela criatividade e modo de falar característico. Concluímos que, em ambos os objetos, predomina um discurso homogeneizante sobre a concepção do que é ser baiano, com destaque para a evocação de uma memória discursiva que aciona estereótipos.

 

O destinatário nos sites das instituições Catavento Cultural, do Brasil, e El MuseoPapalote, do México

Arlete Machado Fernandes Higashi (USP)

arlete_higashi@hotmail.com

O objetivo deste trabalho é apresentar, do ponto de vista linguístico-discursivo, uma análise comparativa da inscrição do destinatário presumido nos enunciados verbo-visuais que compõem os sites de duas instituições de divulgação científica distintas: o Catavento Cultural e Educacional, no Brasil, e o El Museo Papalote, no México. Bakhtin (2016[1952-53]) pondera que um traço constitutivo do enunciado é seu direcionamento a alguém, ou seja, de estar endereçado para seu destinatário, o qual pode ser um participante e interlocutor direto do diálogo da vida cotidiana, um conjunto diferenciado de especialistas de alguma esfera individualizada da comunicação cultural, um público mais ou menos diferenciado, os contemporâneos, o subordinado, o chefe, um inferior, um superior, uma pessoa íntima, um estranho, e até um outro não determinado. Como bem nota o teórico russo, a orientação do discurso verbal em função de um interlocutor tem uma imensa importância no processo de sua construção, visto que essa orientação determina tanto as escolhas temáticas, estilísticas e composicionais que compõem o enunciado, quanto sua entonação valorativa. Desse modo, à luz das noções formadoras dos gêneros do discurso citadas acima e do conceito de entonação valorativa propostos por Bakhtin e seu Círculo, pudemos observar diferenças significativas nas formas de inscrição do destinatário presumido nos enunciados verbo-visuais que constituem os sites do Catavento Cultural e Educacional e do Papalote. A análise do corpus selecionado demonstrou que se nos enunciados verbo-visuais do site do Catavento Cultural os destinatários presumidos são diversificados e nitidamente marcados, no Papalote eles são, nas mesmas dimensões, restritamente inscritos.

 

Formas responsivas no Facebook: curtir, compartilhar e comentar a divulgação científica em rede social

Artur Daniel Ramos Modolo (USP)

adrmodolo@gmail.com

O objetivo desta apresentação é abordar a expansão da divulgação científica na Internet por um prisma dialógico. O perímetro do corpus analisado engloba os enunciados postados no Facebook pelas revistas Scientific American Brasil, Pesquisa FAPESP e Superinteressante durante quatro meses do primeiro semestre de 2016 (01 de março de 2016 a 30 de junho de 2016). Empregam-se, como base teórico-metodológica, os conceitos elaborados pelo Círculo de Bakhtin, em especial: responsividade, gêneros do discurso, esferas de atividade humana. Dessa forma, almeja-se averiguar em que medida a hipertextualidade, os recursos verbo-visuais e a interação com os demais usuários da rede podem influenciar o conteúdo do enunciado publicado nas páginas de divulgação científica no Facebook. Em um segundo momento de análise, o objetivo é verificar a especificidade de determinadas características da divulgação científica nas redes sociais em comparação a outros meios tradicionais de difusão da ciência: televisão, revista, jornal etc. Para estabelecer tais comparações foram utilizados parâmetros quantitativos (volume de responsividade e frequência de gêneros) e qualitativos (teor dos comentários, referências culturais e ideológicas) que buscam observar as especificidades da produção de divulgação científica na Internet em contraste com a divulgação científica materializada em meios mais tradicionais.

 

Análise comparativa de discursos: a popularização científica no canal brasileiro Nerdologia e no canal americano SciShow

Beatriz Amorim de Azevedo e Silva (USP/FAPESP)

be.silv2@gmail.com

Esta comunicação propõe uma análise sobre a relação entre gêneros discursivos, meios de circulação e público presumido por meio da pesquisa sobre a inter-relação entre linguagem e cultura, especificamente, ao tomar como objeto os enunciados orais de divulgação científica em meio digital. Entende-se aqui que a internet é o principal meio de circulação de informações em nível global na atualidade e que os gêneros da divulgação científica são adaptáveis à situação social e ideológica predominante em determinado recorte sincrônico, por ter como característica um foco maior no seu interlocutor. Para esse fim, serão utilizados os conceitos definidos pelo Círculo de Bakhtin, cujos integrantes entendem a linguagem não só como um sistema fechado e imanente, mas sim na relação com a cultura, a ideologia e a realidade sócio-histórica em que é produzida, por meio do estudo de textos e enunciados em relação dialógica entre si, formando uma cadeia discursiva dos mais variados gêneros. Os conceitos iluminarão uma análise comparativa de vídeos de divulgação científica de dois países, a saber, Brasil e Estados Unidos, abordando o uso do discurso reportado para introduzir a voz da ciência no texto e como o meio digital e o público presumido pelos vídeos influenciam o seu modo de construção, tanto na linguagem verbal utilizada, quanto na escolha dos elementos visuais, como tabelas, imagens e gráficos. (Apoio: FAPESP - Projeto 2017/02791-6).

 

Cultura e ensino de espanhol como língua estrangeira: análise e reflexões sobre a presença da cultura nos livros didáticos

Bruna de Souza Silva (USP)

brunades.silva@yahoo.com.br

Esse estudo advém do projeto de Iniciação Científica “Cultura e ensino de espanhol como língua estrangeira: análise e reflexões sobre a presença da cultura nos livros didáticos Enlaces (2010) e Síntesis (2011)”. A pesquisa, que se encontra em andamento, reflete sobre o desafio da pluralidade de culturas no ensino de E/LE (Espanhol como língua estrangeira) e a maneira como o componente cultural é integrado e abordado em livros didáticos brasileiros, bem como sua relação com as práticas sociais. Assim, espera-se discutir e pensar a respeito da formação de instrumentos/caminhos para o ensino de línguas estrangeiras no Brasil – no nosso caso, o espanhol –, com consciência crítica não somente a respeito de uma abordagem intercultural, mas também considerando sujeitos inseridos em sociedades. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, cujos dados serão analisados com a aplicação dos procedimentos da Análise de Conteúdo. Assim, espera-se discutir e pensar a respeito da formação de instrumentos/caminhos para o ensino de línguas estrangeiras no Brasil – no nosso caso, o espanhol –, com consciência crítica não somente a respeito de uma abordagem intercultural, mas também considerando sujeitos inseridos em sociedades.

 

O Rap em cena: Análise da construção do enunciado crítico no álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, de Emicida

Bruno Oliveira (UFG)

bruno-oliveira2@hotmail.com

Neste trabalho, analisamos de forma descritiva e interpretativa um recorte de enunciados a partir de letras de músicas que compõe o álbum “O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui” (2013), de Emicida, eleitas por conter posicionamentos críticos relativos à realidade social do negro na sociedade contemporânea. Esses enunciados foram analisados a partir da teoria dialógica da linguagem, do Círculo de Bakhtin, traçando possíveis relações entre a noção de enunciado e os conceitos elaborados pelos pensadores russos do Círculo de Bakhtin como arte e vida, diálogo, enunciado, exotopia, cronotopo, reflexo e refração e signo ideológico. Dessa forma, analisamos o lugar que o sujeito-enunciador Emicida enuncia, pois, a construção do enunciado crítico de suas letras coloca em confronto o lugar que o sujeito marginal enuncia em uma dada realidade. Assim posto, procuramos notar como esse novo marginal, que conquistou um lugar econômico e social por meio de sua arte, mas que não se desvencilha do ser marginal, não abandonando o seu lugar de pertencimento (lugar de pobre, negro e favelado), aparece nos enunciados críticos da produção de Emicida.

 

Macau e suas vozes: uma leitura da obra Amor e dedinhos de pé, de Henrique de Senna Fernandes

Bruno Tateishi (PUC-SP}

brunot.23@hotmail.com

A comunicação pretenderá explorar parte do projeto empreendido pelo pesquisador acerca da cultura de expressão em língua portuguesa presente em Macau. Nesta perspectiva, nosso objetivo será verificar como Henrique de Senna Fernandes, autor macaense, orquestra artisticamente as vozes sociais, bem como a diversidade social de linguagens, que emanam de sua obra “Amor e dedinhos de pé” (1985) para discutir a questão da identidade macaense. Partindo da premissa de que o romance, na concepção bakhtiniana, se caracteriza pela estratificação interna da linguagem e tomando como foco o conceito de plurilinguismo, concebemos a seguinte hipótese: se o discurso do romance é plurilíngue, ou seja, constitui-se pelas diferentes falas e diferentes linguagens e constrói-se na diversidade de vozes sociais, a prosa literária de Senna Fernandes é representativa da memória e da identidade de Macau, à medida que recupera aspectos culturais, sociais e ideológicos de determinado tempo-espaço. Considerando o que foi exposto, nossa apresentação versará sobre os seguintes tópicos: (1) Breve apresentação do contexto sócio-histórico-cultural de Macau; (2) Reflexões sucintas sobre a identidade macaense, baseadas na obra “Em terra de tufões: Dinâmicas da etnicidade macaense” (1993), de João de Pina Cabral e Nelson Lourenço; (3) Discussão sobre o conceito de plurilinguismo, desenvolvido por Mikhail Bakhtin no ensaio “O discurso no romance”, produzido entre 1934-1935, e sua contribuição para a leitura dos discursos que permeiam a obra “Amor e dedinhos de pé”, analisando, por meio de “lentes dialógicas”, de que forma essas vozes legitimam seus diferentes valores e pontos de vista. A pesquisa justifica-se não só pela necessidade de se explorar o universo da Lusofonia, mas também por contribuir, ainda que de forma mínima, para os estudos sobre Macau, recuperando suas memórias e identidades.

 

Tecnologia em movimento: um olhar discursivo para as tecnologias de linguagem

Diego Henrique Pereira (UNIVÁS)

diego@professordiegopereira.com.br

Nesta comunicação apresentaremos um material desenvolvido no âmbito da linha de pesquisa “Linguagem, conhecimento e suas tecnologias” no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem por meio do qual objetivamos apresentar e compreender os modos como os sentidos sobre a tecnologia se formulam e circulam na sociedade do século XXI. Ao longo do vídeo que será exposto, o leitor/expectador poderá acompanhar um percurso no qual os autores, fundamentados teoricamente na Análise de Discurso de Michel Pêcheux e colaboradores, na França, e de Eni P. Orlandi e colaboradores, no Brasil, dão certa visibilidade para os modos como a tecnologia vem sendo discursivizada na sociedade. Do ponto de partida de formulação deste material, o funcionamento da tecnologia é pensado a partir dos modos como os sujeitos praticam linguagem e produzem sentidos modificando a sua relação com o mundo. O vídeo apresentado é um material de leitura, cuja inscrição pretende produzir uma compreensão discursiva a respeito de tecnologia.

 

A argumentação do impeachment: assujeitamento e transgressão no discurso destituinte de Dilma Rousseff

Frederico Rios Cury Dos Santos (USP)

fredericodesantos@gmail.com

Pretende-se analisar no presente trabalho os discursos da votação da admissibilidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff na Câmara dos deputados do Brasil compilados pelo departamento de taquigrafia da respectiva casa legislativa. Através dos pressupostos teórico-metodológicos da Argumentação ou Retórica aristotélica entendida no seio do Discurso, em comparação com o instrumental teórico fornecido por Dominique Maingueneau por meio de seu conceito de “cenografia”, mostrar-se-á que as categorias da retórica como a das construções identitárias, os recursos lógicos, emotivos, os clichês e lugares comuns que serviram de justificativa para a atribuição de culpa apontam para um mesmo resultado se utilizada ferramenta de Dominique Maingueneau da cenografia, entendida como uma espécie de cena de enunciação. O que parece ter havido é que, o que quer que a ex-presidente tivesse feito, ela já estaria certa ou errada a priori, a depender do assujeitamento de um deputado à sua ideologia de grupo ou formação discursiva. E a forma como se deu a argumentação do impeachment, com a construção dos ethé, dos recursos patêmicos e com a menção a lugares comuns pode ser explicada pelo conceito de cenografia elaborado por Dominique Maingueneau, intimamente ligado ao de gênero do discurso. A manifestação de um gênero textual sobre as vestes de um outro é comumente denominada de transgressão genérica, e a cenografia seria então esse gênero que aparece e que esconde um outro, sem, contudo, mudar sua real finalidade. O que se verificou da análise dos discursos que destituíram Dilma Rousseff foi exatamente essa transgressão genérica. Justificaram-se os votos pelo impeachment através das mais variadas cenografias de enunciação, por meio principalmente do discurso religioso, do discurso patrimonialista e do discurso chauvinista regional. Do lado da esquerda, o que se observou foi também a evasão do objeto e da finalidade do rito pela deslegitimação do processo.

 

Verbovocovisualidade em campanha publicitária da Skol em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (2017)

Gabriella Cristina Vaz Camargo e Grenissa Bonvino Stafuzza (UFG)

gabriellavazcamargo@gmail.com

Em março de 2017, a cerveja Skol publicou em sua página no Facebook e em seu canal no Youtube o vídeo da propaganda “Reposter Skol” em homenagem às mulheres, no Dia Internacional da Mulher. Para tal homenagem, a empresa convidou oito ilustradoras para reconstruírem pôsteres antigos da Skol, em que a figura feminina aparecia sexualizada e objetificada, de modo a desconstruir o estereótipo da mulher e procurando livrar-se de discursos machistas e misóginos, comuns em suas antigas propagandas. Diante disso, essa pesquisa teve como objetivo analisar o vídeo dessa campanha enquanto um enunciado verbovocovisual, com embasamento teórico nos escritos deixados pelo Círculo de Bakhtin. É importante destacar também, que a pesquisa é de cunho bibliográfico, pois, apesar de o Círculo não ter se dedicado, especificamente, aos enunciados verbovocovisuais, é possível encontrarmos aparatos teóricos em que podemos analisar tal enunciado em seus extratos verbal (verbo), vocal (entonação/voz) e visual (gesto e imagem), de modo a mostrar o funcionamento dialógico da linguagem, assim como os discursos que lhe são perpassados. Para a realização da pesquisa, o método adotado foi o dialógico, proposto por Bakhtin e seu Círculo, em que descrevemos, analisamos e interpretamos o material em estudo. Através das leituras e análises, pudemos constatar alguns discursos recorrentes no todo arquitetônico do vídeo, como por exemplo, o capitalista, que de modo velado aparece para promover o produto e melhorar as vendas. Constatamos ainda que o vídeo busca mostrar ao público que a empresa acompanha os movimentos sociais e que os “apoia” e que por conta disso deve ser consumida. Com isso e através da pesquisa, pudemos observar como os enunciados dialogam entre si e como são perpassados por ideologias, o que nos permite definir o funcionamento da linguagem como dialógico. Apoio: CAPES 

 

Discursos sobre as congadas: análise de matérias produzidas pelo “O popular” sob a ótica do Círculo

Giovanna Diniz dos Santos (UFG)

dsgiovanna@gmail.com

Esse trabalho pretende abordar como a teoria dialógico-dialética pode ajudar na análise de discurso(s) jornalístico(s), usando como corpus o material produzido sobre a festa religiosa das congadas no jornal goiano O Popular. O texto jornalístico, desde sua gênese, tem em si um caráter dialógico, pois é feito pela interação entre fonte e entrevistador, jornalista e veículo midiático. Além disso, ele é formado por vozes que não se pretendem visíveis, por opiniões e valores – do jornalista ou do veículo que ele representa – presentes nos signos ideológicos verbal ou visual do texto. Por isso foi escolhida a teoria do Círculo para se entender os enunciados que fazem parte do discurso jornalístico e quais são seus efeitos de sentido. Dessa forma, foram listadas todas as matérias do jornal O Popular que tratam do tema das congadas na cidade de Catalão, para depois descrever cada aspecto visual, verbal e imagético encontrado. Depois foi feita a interpretação dos resultados obtidos, os sentidos que cada matéria evocava sobre a importância dos aspectos religiosos ou de pertencimento à cidade pelos participantes da festa. Apesar das matérias mostrarem diversas personagens que participam da festa religiosa e contar algumas de suas histórias, o texto não menciona aspectos políticos e partidários que envolvem a realização da mesma, ou possíveis contradições da relação entre os religiosos e a prefeitura. Essa “falta” reflete como o veículo acredita que o tema deve ser abordado, ou seja, como o enquadramento utilizado pelo jornalista, a escolha de fontes e a linguagem se inserem no viés ideológico do discurso do O Popular. Apoio: CAPES

 

Análise comparativa de discursos sobre a diversidade cultural: nuestradiversidadcreativa e as políticas culturais brasileiras

Inti Anny Queiroz (USP/CAPES)

inti.queiroz@gmail.com

O conceito de diversidade cultural começou a ser difundido mundialmente a partir de 1982, na Conferência Mondiacult, realizada na Cidade do México pela UNESCO. O evento refletiu acerca do que era entendido por cultura e buscou projetar propostas para as políticas culturais mundiais para o futuro. Os resultados das discussões da conferência mexicana foram publicados no documento Nuestra diversidad creativa, com a proposta de que a cultura deveria ser vista por meio de um “olhar antropológico”, compreendendo que todas as ações humanas são cultura e não apenas arte e por isso era necessário utilizar o conceito de diversidade cultural para ampliá-la. Nossa pesquisa parte do pressuposto de que, anos mais tarde, os discursos e conceitos contidos neste documento da UNESCO influenciaram os discursos de dois relevantes processos de construção de políticas culturais ocorridos no Brasil: o modelo de cidadania e cultura da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo no final dos anos 1980 e o Sistema Nacional de Cultura do governo federal, na gestão do presidente Lula, no início do século XXI. O objetivo desta reflexão é propor uma análise comparativa de discursos do documento da UNESCO produzido no contexto mexicano em comparação com enunciados criados para o desenvolvimento das políticas culturais no Brasil, com foco na proposição da criação de políticas culturais com um olhar antropológico e de diversidade cultural. Levaremos em conta que os enunciados foram produzidos por autores diferentes em contextos distintos. Utilizaremos como fundamentação teórica de análise dos enunciados as teorias do Círculo de Bakhtin. Buscaremos evidenciar neste estudo, por meio dos resultados da pesquisa de doutorado em desenvolvimento, que o documento mexicano influenciou diretamente os enunciados brasileiros para a criação de um novo modelo de política cultural.

 

Estilo do gênero artigo de opinião: primeiras impressões

Isabel Fernandes (USP)

123bebel@gmail.com

Gêneros do discurso são efêmeros e modificam-se ao longo do tempo de acordo com as peculiaridades dos contextos sócio-históricos. Os estudos dos gêneros jornalísticos podem ser interessantes para atender às necessidades de formação de profissionais da comunicação e embasamento teórico para pesquisas acadêmicas e atividades de ensino.  Considerando que as pesquisas sobre o gênero artigo de opinião avançaram na descrição e na análise da construção composicional e da argumentação, como também no estilo de linguagem, especialmente dos marcadores argumentativos, o foco do atual estudo é investigar o papel do estilo do autor e da autoria no contexto da formação da opinião pública e na caracterização do estilo do gênero, com o apoio da perspectiva teórica da Análise Dialógica do Discurso. Compreende-se por estilo o movimento de individuação do sujeito no universo da linguagem, ou seja, sua construção discursiva peculiar. As reflexões de Bakhtin e dos pensadores do Círculo levam-nos a considerar um sujeito constituído de diálogos com outros discursos, sendo sua produção discursiva formada de outros enunciados pelo tema, pela composição, pelo estilo do gênero. O gênero é o espaço onde a palavra ganha expressão em situações concretas de comunicação. "Essa expressividade típica (do gênero) pode ser vista como a 'auréola estilística' da palavra, mas essa auréola não pertence à palavra da língua como tal, mas ao gênero em que dada palavra costuma funcionar, é o eco da totalidade do gênero que ecoa na palavra" (BAKHTIN, 2010, p. 293). Nesse sentido, o gênero artigo de opinião estabelece um espaço discursivo para a circulação da opinião pública, em que o sujeito/autor, sendo ele mesmo constituído por diálogos com outros discursos, produz no texto um lugar do diálogo com outras vozes sociais, para, assim, lançar uma ponte aos possíveis diálogos com o leitor e do leitor com o corpo social.

 

Who is Gretchen? SwishSwishGlow: Performance. Teatralidade. Discurso.

Jean Carlos Gonçalves (UFPR-PUC-SP)

jeancarllosgoncalves@gmail.com

A comunicação analisa as recentes reverberações da participação de Gretchen no vídeo clipe “Katy Perry - SwishSwish (LyricVideoStarring Gretchen) ft. NickiMinaj” e na divulgação da série “Glow (Netflix)”. Considerada, desde 2016 como ícone da Web, a multiartista brasileira Gretchen tem sido nomeada de Rainha da Internet em virtude da viralização de memes nos quais ela aparece em diversas situações (verbo-visuais), re-significando, discursivamente, a sua própria imagem. Seja por meio de efeitos como ironia, riso e carnavalização ou pelas contradições existentes em todo o jogo enunciativo no qual se inserem as discursividades daí resultantes, torna-se urgente compreender Gretchen como personagem em alteridade e com efeitos de teatralidade e performance que a constituem enquanto figura pública. Os elementos de comunicabilidade presentes no fenômeno Gretchen fabricam uma estratificação dos projetos discursivos por eles abarcados de modo que, rapidamente, tornam-se capazes de gerar identificações em nichos distintos e circular por diferentes esferas, ultrapassando aquelas relacionadas à internet. A análise ancora-se na perspectiva bakhtiniana, considerando, como objeto, reportagens que fazem referência aos temas elencados, e toma por princípio estético as noções de teatralidade e performance em campo expandido, para aprofundar as discussões, hoje mundiais e internacionalizadas, sobre quem é Gretchen (Who is Gretchen?).

 

O discurso da relação teoria e prática nas políticas curriculares para a formação de professores no Brasil e em Portugal

JozanesAssunçãoNunes (PUC-SP)

jozanes@globo.com

O campo da formação de professores no Brasil tem sido fortemente impactado pelas reformas educacionais em curso, deflagradas na segunda metade da década de 1990 e início dos anos 2000. Não se trata, porém, de uma especificidade brasileira, pois a ênfase dada à formação de professores também ocorreu nas reformas educativas empreendidas em outros países, correspondendo à necessidade de formação de um novo perfil profissional. Com base nessas considerações, este trabalho realiza um estudo das políticas curriculares do Brasil e de Portugal com o objetivo de discutir a relação teoria e prática no contexto discursivo dos documentos oficiais que regulamentam ou orientam os cursos de formação de professores nesses países. Para tanto, analisa as Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação Docente, aprovadas no Brasil em 2001 e 2015 e os dispositivos legais que tratam da reconfiguração dos cursos de formação de professores em Portugal: Decreto-Lei n. 74/2006, que regulamenta as alterações relativas ao modelo organizacional do ensino superior de adequação ao Processo de Bolonha, e Decreto-Lei nº 43/2007, que define as condições necessárias à obtenção de habilitação profissional para a docência. Com base nos pressupostos dos estudos de Bakhtin e o Círculo, busca correlacionar os documentos oficiais dos dois países numa perspectiva de apreender o diálogo entre eles, assumindo-os nos processos em que se constituem em discursos, buscando apreender os sentidos da formação docente a partir dos princípios das dimensões teoria e prática presentes na arena discursiva dos documentos. O estudo evidencia que as determinações constantes nos dispositivos legais brasileiros e portugueses não contribuem para a união das dimensões teoria e prática da formação docente, por partirem do entendimento de que a prática deve ter tempo e espaço próprios na formação do futuro professor, evidenciando, assim, uma visão de educação fragmentada.

 

A relação entre as dimensões verbivocovisuais na (re)construção de sentidos

José Antonio Rodrigues Luciano (UNESP-Assis)

trodrigues01.tr@gmail.com

Esta proposta faz parte de um recorte do projeto de pesquisa que tem por escopo refletir acerca da concepção de linguagem na construção do pensamento filosófico do Círculo de Bakhtin, feita a partir de conceitos advindos de meios sociais como, por exemplo, o da música (voz, ritmo, entonação) ou do visual/artes plásticas (arquitetônica, imagem de autor, máscara). Pois, tais concepções-chaves como as citadas, podem ser compreendidas metaforicamente, isto é, de maneira alargada da teoria do Círculo para apreender os fenômenos da linguagem. Assim, neste recorte, propõe-se a pensar o deslocamento, ou (re)construção, de sentidos entre enunciados verbivocovisuais, a saber, canção e posts de facebook com letras de canção. Visa-se, desse modo, compreender como a letra de uma canção reacentuada em determinado post pode ter, e tem, seu sentido alterado bem como alterar o próprio gênero ao qual está inserida, deixando, então, de ser canção. Para isso, toma-se por método o dialético-dialógico, denominado por Paula (2011) e o qual apresenta, em confluência com a perspectiva bakhtiniana, a relação entre enunciados por tese (afirmação), antítese (negação) e síntese que gera uma nova afirmação em um movimento constante e espiral. O objetivo, aqui, é pensar como as dimensões verbivocovisuais da linguagem proposta por Bakhtin e seu Círculo se relacionam e entrelaçam-se no ato enunciativo do sujeito e podem, então, ser consideradas como potenciais valorativos em dada materialidade, seja verbal, vocal/sonoro, visual ou, ainda, sincréticas. Referente estudo também tem como intuito pensar a teoria bakhtiniana como aporte teórico para outros enunciados que vão além da materialidade verbal, na qual Bakhtin se debruçou.

TravisBickle em diálogo: relações dialógicas na enunciação fílmica de Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese

LizandraBelarmino De Moura (UFG)

lizandrabmoura@outlook.com

Nesta pesquisa, dedicamo-nos a analisar, descrever e interpretar os enunciados verbovocovisuais eleitos a partir da narrativa fílmica de Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese, com a finalidade de compreender como se dá a transformação e movimentação do sujeito protagonista TravisBickle (taxista interpretado por Robert De Niro). Partimos, assim, da hipótese de que as relações dialógicas entre ele e os “outros” que o circundam são relevantes e reveladores para entender a construção da enunciação fílmica e, consequentemente, da construção/transformação desse sujeito. Sendo assim, a análise se concretiza a partir dos enunciados proferidos por Travis durante diálogos com outras personagens, em cenas eleitas como microcorpus da pesquisa. Além de considerarmos essas relações entre sujeitos, contrastamos os diversos discursos com os quais as enunciação fílmica dialoga, como por exemplo, aqueles referentes ao contexto histórico dos Estados Unidos na década de 1970, como também, as correntes de pensamento recorrentes no período. O aporte teórico e metodológico vem da teoria dialógica da linguagem do Círculo de Bakhtin; sendo assim, cabe salientarmos que, por mais que os integrantes do Círculo não tratem diretamente de elementos da linguagem audiovisual, eles nos dão pistas que nos autorizam a analisar tais enunciados (verbovocovisuais). Assim, ao cotejar conceitos elaborados por Bakhtin e outros, com os recortes de cenas feitos, compreendemos como se dá a construção do sujeito que é transpassado por seu contexto sócio-histórico e ideológico, enquanto reflete e refrata a sua realidade, pois traços de contrariedade foram percebidos nos discursos que permeiam o sujeito Travis, e isso porque os enunciados são as arenas discursivas em que os discursos entram em conflito enquanto o constituem constantemente.

 

Valência genérica interna e externa na imprensa escrita: crônica e ilustração jornalísticas

Losana Hada De Oliveira Prado (PUC-SP)

losanaprado@hotmail.com

O presente trabalho analisa a ilustração de Libero Malavoglia Jr. que acompanha a crônica de Drauzio Varella publicada no jornal Folha de S. Paulo, no dia 3 de julho de 2010, período em que ocorreu a Copa do Mundo na África do Sul. Pretendemos, neste estudo, na perspectiva da Análise do Discurso e no conceito de valência genérica considerada por Maingueneau (2015), refletir acerca de uma evolução constante dos gêneros discursivos em determinada configuração histórica. Nossa análise será pautada em duas perspectivas: a valência genérica interna, distinguindo o núcleo (texto verbal) de seus avatares (textos não verbais); e a externa, problematizando a distinção entre gênero discursivo (autônomo) e gênero textual (componente de um gênero de discurso). Recorreremos, ainda, à prática intersemiótica, considerada por Maingueneau (2008) como uma hipótese para a prática discursiva, estendendo o universo discursivo para além das margens dos objetos linguísticos, superando formas de abordagem da questão que o autor qualifica de impressionistas (ou intuitivas), por intermédio do recurso à noção de prática discursiva, a qual estará em condições de integrar domínios semióticos variados, no caso do presente estudo, a ilustração. Pretendeu-se, na análise, enfatizar a relação de sentidos que o texto verbal e não verbal mantém com quem o produz, com quem o lê, com outros textos (intertextualidade) e com outros discursos possíveis (interdiscursividade), por meio de uma sequencialidade de produção discursiva de gêneros, na qual núcleos e avatares variam sequencialmente e historicamente. Os resultados, ainda preliminares, permitiu-nos notar a sequencialidade de um gênero de discurso autônomo (crônica) que, no processo de irradiação, alcança complementaridade no regime semiótico (ilustração).

 

A ubiquidade e a encenação do ato de linguagem noTwitter

Luis Henrique Boaventurae Ernani Cesar De Freitas (UPF)

luishboaventura@hotmail.com e nanicesar@terra.com.br

Este trabalho trata da encenação do ato de linguagem em interações verbais na rede social Twitter. O objetivo geral é discutir o funcionamento do ato de linguagem na era da hipermobilidade, lugar do sujeito ubíquo, de modo a representar os termos que compreendem a situação de comunicação, local dos espaços sociais físico e virtual, circuito ubíquo onde se desenvolve o jogo de mútua legitimação entre EUu e TUu. O marco teórico se situa sobre três bases: o ato ético e a valoração estética em Mikhail Bakhtin (1997, 2012), a comunicação ubíqua em Lúcia Santaella (2010, 2013a) e a Teoria Semiolinguística em Patrick Charaudeau (2010a, 2010b). O corpus é composto por dois tweets em reação ao anúncio do falecimento da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia, no dia 3 de fevereiro de 2017. Nos casos analisados, os sujeitos se posicionam em um debate político binário, regido por um jogo de regulação identitária que nomeamos espectro polarizante. O ato é proposto não por um único sujeito, ocupante de um espaço físico bem delimitado, mas pela articulação entre um sujeito físico e um sujeito virtual, ambos ocupantes de espaços sociais. O ato é ético e responsável, porque o sujeito, no âmbito do espaço social que ocupa, é singular e seu discurso a partir desse lugar é irrepetível. A esse enunciador, presente em múltiplos lugares sociais simultaneamente, demos o nome de enunciador ubíquo EUu. O trabalho revela que EUu antagoniza seu destinatário aparente, o enunciador OP (original poster) a quem EUu oferece sua resposta, e encena o ato de linguagem para um TUu-instituição destinatária (destinatário real) composto por usuários, sujeitos ubíquos, que compartilham o seu lado do espectro polarizante, negociando com esse TUu a contrapartida de conivência que valida o seu discurso e reforça sua consciência identitária.

 

Análise dialógica de enunciados transmidiáticos: o seriado televisivo

Marcela BarchiPaglione (UNESP)

marcelapaglione@gmail.com

Alicerçado nas discussões de linguagem do Círculo Bakhtin, Medviédev, Volóchinov (BMV) em uma comparação com os estudos da comunicação, este trabalho, parte da pesquisa de doutorado intitulada Fenômeno Sherlock: a recepção social do gênero seriado, propõe-se a analisar o seriado televisivo enquanto gênero discursivo. De acordo com a perspectiva dialógica do Círculo, os gêneros possuem constantemente um jogo de forças centrípetas e centrífugas (BAKHTIN, 2015) de mudança e permanência em seu interior, razão pela qual se constituem como relativamente estáveis. Também o seriado acompanha esse movimento e, ao ser disposto na Rede, insere-se em uma cultura digital e adquire, em sua composição contemporânea, uma natureza transmidiática (JENKINS, 2006). Segundo essa perspectiva, um universo ficcional pode alastrar-se por diversas mídias, transgredindo suas barreiras e, assim, possibilita uma experiência mais aprofundada do público. O Seriado transmidiático, portanto, em nosso caso, Sherlock (2010), estaria inserido em uma cultura da convergência midiática ao ser iniciado na televisão e então repercutido em eventos para fãs, DVDs, aplicativo para smartphone e postagens de Facebook, por exemplo. Ao mesmo tempo, sua abertura na Rede possibilita respostas ativas dos fãs, também consideradas como produções de conteúdo transmidiático, como fanfics, fanvideos, fanarts, teorias, postagens em blogs. Com base em uma discussão sobre a recepção ativa dos fãs de seriado, especificamente Sherlock, observa-se em que medida esses enunciados são compreendidos como transmidiáticos em relação à produção do universo ficcional do seriado, em uma proposta de trazer o conceito dos estudos da comunicação para os bakhtinianos. (Apoio: FAPESP - Processo 2017/04260-8)

 

Release versus Notícia de Popularização da Ciência

Maria Verônica Andrade da Silva Edmundson (IFPB)

veronicaedmunson@hotmail.com.br

Esta comunicação é um recorte da minha tese de doutoramento, cujo tema versa sobre o processo de ressignificação do discurso de popularização da Ciência em enunciados de notícias de popularização da Ciência. Os gêneros release de popularização da Ciência (doravante RPC) e a notícia de popularização da Ciência (doravante NPC) muitas vezes são concebidos sem distinção. Temos, como objetivo geral, realizar uma análise comparativa desses dois gêneros do discurso que popularizam a Ciência e, como objetivos específico, descrever e analisar os gêneros RPC e a NPC para apontar características inerentes a cada um, que lhes conferem a relativa estabilidade do gênero e ao mesmo tempo os diferenciam. O corpus analisado se constitui de uma NPC retirada do website americano “ScienceDaily”, especializado em divulgar notícias de ciências, e um RPC encontrada no site do Centre for GenomicRegulation. Os fundamentos teórico-metodológicos dessa comparação advêm dos estudos sobre os gêneros do discurso, na perspectiva da Análise Dialógica do Discurso de Bakhtin e o Círculo (Bakhtin, 1976, 2006, 2013, 2014; e Bakhtin/Volochinov, 1997), e, no que se refere à esfera jornalística, buscamos suporte em Duarte (2011), Bahia (2009), Kopplin e Ferraretto (1996). A partir da análise do contexto social mais amplo, do conteúdo temático, forma composicional e estilo desses dois gêneros, observamos que há grandes semelhanças entre eles e aspectos que marcam sua identidade, diferenciando-se principalmente na sua funcionalidade.

 

Análise Dialógica de discursos em revistas e em redes sociais sobre a mulher: ato responsivo ativo paródico e/ou carnavalizado

Marília GuimarãesFernandes (UNESP)

mariliaguimaraes.f@gmail.com

Analisamos, em nossa pesquisa de Mestrado, enunciados midiáticos que se situam no âmbito do conflito de valores a respeito da (des)igualdade de gêneros. Procuramos compreender como a então presidenta Dilma Rousseff e sua condição de mulher são retratadas pela mídia institucionalizada e como as redes sociais respondem a esses enunciados. O objetivo geral é compreender como se dá o ato responsivo ativo nos discursos feministas produzidos nas redes sociais em réplica aos discursos da mídia impressa de grande circulação, em um contexto político de impeachment da presidenta Dilma. Os objetivos específicos são: investigar o uso da carnavalização e da paródia em discursos de luta pela igualdade de gênero e liberdade das mulheres; investigar como esses conflitos produzem sentido em gêneros diferentes do discurso, cuja materialidade é verbo-visual (capas de revista, memes); investigar como o movimento ativista em defesa da mulher se manifesta nas redes sociais quando do episódio do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O quadro teórico-metodológico são estudos no interior da Análise Dialógica do Discurso, fundamentada no arcabouço teórico do Círculo de Bakhtin, com foco em: ideologia, signo ideológico, conflito de valores, gêneros do discurso, enunciado concreto, compreensão responsiva ativa, carnavalização e paródia. Analisaremos como se dá o ato responsivo ativo das redes aos discursos das revistas. Constituem o corpus: capa da revista “Isto é” (06/04/2016), reportagem da revista “Veja “intitulada “Bela, recatada e do lar (18/04/2016), e as campanhas movimentadas nas redes sociais #istoémachismo e #belarecatadaedolar. Para contribuição ao tema do evento, a apresentação traz exemplo de análise que faz uma comparação entre um discurso e sua réplica na mídia.

O humor no discurso pedagógico: uma análise de cursinhos pré-vestibulares

Marina Totina de Almeida Lara (UNESP/FCLAr)

m.almeidalara@hotmail.com

A presente pesquisa, em nível de mestrado, propõe uma reflexão sobre a presença do humor em enunciados com fins didático-pedagógicos de cursinhos pré-vestibulares. O corpus de análise é o blog do cursinho Descomplica (www.descomplica.com.br/blog) e é composto por um conjunto de 44 enunciados das disciplinas de gramática e redação referentes aos anos de 2009 a 2016. Interessa-nos a presença de gêneros que veiculam o humor nas atividades de ensino/aprendizagem disponibilizadas no blog, centralizando nosso olhar para os memes, para verificar como se dá a presença desses gêneros como recurso didático-pedagógico na esfera pedagógica online. A pesquisa aponta para instabilidades no discurso pedagógico praticado em ambientes educacionais na atualidade, nos quais está normalizado um estilo para a aula que passa por um movimento de espetacularização, configurando o que se chama comumente de “aula-show”. Em nosso corpus, temos a hipótese que o discurso do professor da “aula-show” se materializa por meio dos gêneros, como o meme, que produzem humor. A perspectiva teórico-metodológica para análise dos enunciados é a de Bakhtin e seu Círculo.

 

Agência de financiamento: CNPq

 

A presença da coletânea nas melhores redações da FUVEST: uma análise dialógica

Marina Calsolari Conti (UNESP)

marina_calco@hotmail.com

Hodiernamente, o vestibular detém grande parte do interesse de alunos, professores e instituições de ensino. A partir disso, ganha força, dentro de colégios, a prática da produção textual, em especial do gênero dissertativo-argumentativo – tal como o gênero é denominado pelo próprio exame do vestibular. Assim, ganha força também os debates acerca da necessidade ou não do uso da coletânea disponibilizada pela banca examinadora, a fim de delimitar o tema proposto ao vestibulando. Tendo isso em vista, esta pesquisa objetiva realizar um estudo aprofundado acerca das exigências do vestibular da FUVEST no que tange à necessidade ou não de diálogo com a coletânea além de uma análise de redações classificadas como tendo alcançado aquilo que era esperado pela banca examinadora. Para tal empreitada, buscar-se-á caminhar pela Análise do Discurso, tendo, como eixo basilar de fundamentação, as ideias propostas por Bakhtin e seu Círculo. Igualmente, conceitos como relações dialógicas, enunciados, gêneros do discurso, autor e autoria, além de um estudo acerca dos processos de citação e seus tipos fazem-se necessários para a concretização desta pesquisa. Para o desenvolvimento deste estudo, pretende-se utilizar um corpus composto pela Proposta de Redação do vestibular FUVEST e as redações que atenderam total ou parcialmente os quesitos avaliados pela banca examinadora do vestibular supracitado. Ademais, integra-se, como outro elemento principal deste projeto, o Manual do Candidato fornecido e elaborado pela Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST), já que nele constam as informações do que é esperado nos textos produzidos pelos alunos. Assim, objetiva-se que, por meio desta pesquisa, possa-se contribuir com reflexões úteis aos professores de redação e também com um estudo bakhtiniano sobre formas de diálogo – explícitos ou não – praticadas pelos candidatos nos exames de vestibular.

O humor no discurso pedagógico: uma análise de cursinhos pré-vestibulares

Marina Totina de Almeida Lara (UNESP/FCLAr)

m.almeidalara@hotmail.com

A presente pesquisa, em nível de mestrado, propõe uma reflexão sobre a presença do humor em enunciados com fins didático-pedagógicos de cursinhos pré-vestibulares. O corpus de análise é o blog do cursinho Descomplica (www.descomplica.com.br/blog) e é composto por um conjunto de 44 enunciados das disciplinas de gramática e redação referentes aos anos de 2009 a 2016. Interessa-nos a presença de gêneros que veiculam o humor nas atividades de ensino/aprendizagem disponibilizadas no blog, centralizando nosso olhar para os memes, para verificar como se dá a presença desses gêneros como recurso didático-pedagógico na esfera pedagógica online. A pesquisa aponta para instabilidades no discurso pedagógico praticado em ambientes educacionais na atualidade, nos quais está normalizado um estilo para a aula que passa por um movimento de espetacularização, configurando o que se chama comumente de “aula-show”. Em nosso corpus, temos a hipótese que o discurso do professor da “aula-show” se materializa por meio dos gêneros, como o meme, que produzem humor. A perspectiva teórico-metodológica para análise dos enunciados é a de Bakhtin e seu Círculo.

Agência de financiamento: CNPq

 

O enunciado na imprensa: uma análise comparativa das culturas discursivas do jornal brasileiro OESP e do jornal The Guardian

Mayara Feliciano Palma (USP/CNPq)

mayara.palma@usp.br

O projeto propõe uma análise de culturas discursivas próprias das esferas jornalísticas inglesa e brasileira. A análise será realizada por meio da comparação entre as primeiras páginas do jornal inglês “The Guardian” e do jornal brasileiro “O Estado de S. Paulo sobre três acontecimentos que envolvem figuras presidenciais: o impeachment de Dilma Rousseff, a vitória de Donald Trump nas eleições americanas e a morte de Fidel Castro. O objetivo central deste projeto é identificar, descrever e interpretar as culturas discursivas presentes na primeira página de cada jornal, apontando suas possíveis semelhanças e diferenças, e as relações que elas exercem com os fatores socioculturais de cada um destes países. Para tal, serão utilizados conceitos desenvolvidos pela Análise Comparativa de Discursos do Cediscor e pelos trabalhos do Círculo de Bakhtin.

 

Análise de rotinas cognitivas e o estudo da ironia

Monica Alvarez Gomes (UFMS)

magneves@terra.com.br

O presente trabalho é um estudo das rotinas cognitivas, principalmente as de mescla e de re-enquadre, na constituição da ironia, seguindo os pressupostos teóricos da Semântica Cognitiva. Apesar de a Semântica Cognitiva não ser considerada como parte dos estudos de Análise do Discurso, cabe a comparação de métodos e de resultados, uma vez que (1) a ironia tem sido pouco explorada atualmente e que (2) os resultados podem ser considerados como complementares e não excludentes. Brait (1999) tem vasto trabalho sobre ironia, com forte fundamentação nos estudos discursivos, sobretudo apoiado na polifonia de Bakhtin e da AD francesa (Ducrot e outros). Nele, a autora estuda principalmente a ironia como estratégia argumentativa e aspecto constitutivo da linguagem.  Além dela, outros linguistas da área da AD desenvolveram pesquisas sobre ironia, como Machado (1995), que se dedica, sobretudo, à metonímia irônica, além de outros dados. A contribuição de Neves (2006) estabelece uma conexão com os trabalhos de Langacker (1987), Fauconnier& Turner (2002), Goldberg (1995), Coulson (2000), dentre outros. Nela, a autora reconhece (1) padrão léxico-sintático encontrado no SN, (2) rede construcional de negação, (3) tipologia do recurso irônico, (4) compreensão a partir de esquemas básicos de natureza experencial, e (5) rotinas cognitivas engendradas __ a mescla, com sua capacidade de habilitar inferências, reações afetivas e ações motivadas, e o re-enquadre, com a conceptualização através de uma nova perspectiva. É principalmente neste último item que as duas linhas teóricas têm contribuições muito próximas, dado que as consequências do reconhecimento das mesclas e do re-enquadre são sempre de natureza discursiva. Finalmente, é importante salientar a reflexão sobre as restrições metodológicas que, parece, todas as linhas teóricas impõem. Nos trabalhos de AD sobre ironia, ficam em relevo a ausência de mecanismos de análise linguística aplicáveis em larga escala, tornando a análise mais interpretativa e centrada na visão do analista. Na Semântica Cognitiva, sobreleva-se -- apesar de se ter trabalhado com uso real da língua -- a ausência da ratificação do falante para, cientificamente, validar o percurso cognitivo apontado, o que também centra o trabalho na visão do analista.

 

Análise do discursocrítica da problemática “situação de rua” em sites de notíciasemsalvador e regiãometropolitana

Natalia Penitente Andrade (UNEB)

nataliapeniitente@hotmail.com

O termo “situação de rua” vincula-se a uma problemática social que leva pessoas a utilizarem as ruas como forma de abrigo e de sobrevivência, a amplamaioriaencontra-se emcondição de pobreza extrema. Assim, apresenta-se um recorte do projeto de pesquisa intitulado “Discurso e Situação de Ruaem Salvador e Região Metropolitana”, vinculado à iniciaçãocientífica (FABESP), quetem como objetivo geral pesquisar a problemática da situação de rua empreendendo uma análise discursivo-crítica a partir de elementos linguísticos (e de outras semioses) presente sem sites de notícias considerando as correlações com práticas sociais e com perspectivas ideológicas. Como objetivos específicos, pretende-se examiner relações intertextuais em sites de notícias que se relacionem a pessoas em situação de rua, com o propósito também de estudar como agents sociais são representados em textos jornalísticos em sites de notícias e de analisar a interdiscursividade presente nos textos. Com o intento de desenvolver um olhar crítico e reflexivo, a partir dos pressupostos da Análise de Discurso Crítica (ADC), foramutilizadoscomoaparatoteóricoFairclough (2001, 2003), Van Leeuwen (1997), Silva (2006); Rosa (2005), Bessa (2008), Thompson (1995). O corpus é compost por análise de duas notícias sobre o tema “situação de rua” veiculadas nos sites “Correio” e “Salvador Notícias”. Como resultados, observou-se que há preocupação com as políticas públicas, verificaram-se também a ausência de espaço para a voz e a nomeação de cidadãos e de cidadãs em situação de rua e de representação de atores sociais; por fim, constatou-se o uso da expressão “morador de rua” que indica uma concepção errônea e naturalizada, contribuindo para a sustentação dessa problemática social.

 

Discurso, arquivo, cor: ser negro, ser branco, ser escravo, ser imigrante

Phellipe Marcel Da Silva Esteves (UERJ)

phellipemarcel@gmail.com

Nesta comunicação, inscritos no aparato teórico da Análise do Discurso materialista (Pêcheux), pretendemos investigar como o estatuto de “imigrante” no Brasil vai sendo construído pela língua que se fala no país, e permitindo que para alguns sujeitos essa designação seja aceitável e para outros seja vetada. A fim de cumprirmos esse propósito, nos debruçamos sobre as oposições / complementariedades / combinações dos nomes “escravo”, “colono”, “colonizador”, “senhor de engenho”, “imigrante” com os adjetivos “branco”, “negro”, “africano”, “europeu” e respectivas flexões no feminino e no plural, fazendo uso da primeira versão do Corpus do Português organizado pelos pesquisadores Mark Davies e Michael J. Ferreira. Com isso, por um lado, foi necessário também refletir sobre como a Análise do Discurso pode se articular com a Linguística de Corpus. Por outro, fomos chegando a proveitosos resultados que não remetem diretamente à imigração, mas que dizem muito sobre como colonos, colonizadores e senhores de engenho são significados em distintas materialidades, e sobre como a constituição da imagem de sujeitos brasileiros passa pelo processo de adjetivação, às vezes cruelmente.

 

Argumentação escrita no ensino médio: resenha crítica

Priscilla Coelho (USP)

priscillaccoelho@gmail.com

Com objetivo de investigar as propostas de produção escrita do gênero resenha crítica na sequência didática desenvolvida com estudantes do ensino médio de uma escola particular paulistana, examinou-se o processo de produção do texto argumentativo. Considerou-se, para tanto, a adoção dos conceitos de gêneros do discurso e enunciado concreto de Bakhtin e o Círculo. A relação dos estudantes com o vídeo intitulado “Vincent” (1982), de Tim Burton, mereceu a redação da resenha, considerando sua materialidade linguístico-discursiva. Dessa forma, explorou-se o uso dos recursos argumentativos (coesão textual) e os mecanismos para o desenvolvimento de autoria. Serviram como corpus à pesquisa o material didático desenvolvido para a série em questão e três produções resultantes dessa sequência didática, elaborada pelos professores, com objetivo de que os estudantes desenvolvessem argumentação escrita. A pesquisa foi embasada, inicialmente, na leitura de textos teóricos que focam na perspectiva bakhtiniana: gêneros do discurso, tema e estilo. Os conceitos de resenha e crítica cultural foram tratados nas aulas de português. A proposta foi organizada em quatro etapas 1) levantamento de dados junto aos estudantes para identificar o conhecimento acerca da produção de resenha, a partir de coletânea baseada em aspectos fílmicos observados, 2) oferta de textos em torno do vídeo que foi resenhado, 3) produção do texto realizado pelos estudantes, 4) partilha e reelaboração dos textos. A redação dos estudantes mostrou que o trabalho em quatro etapas é fundamental, uma vez que se estabelece uma relação entre leitura do objeto cultural e a compreensão do vídeo. Três resenhas foram selecionadas para reconstituir as compreensões em torno do gênero crítica cultural. A elaboração da sequência didática, a partir da necessidade do estudante em redigir um texto claro e opinativo, evidenciou a importância do processo de reelaboração dos textos, enfatizando a discussão e a produção final dele.

Análise comparativa estilística do gênero resumo: um estudo de caso nas publicações científicas no Brasil e na Rússia

Ms. Raphael Bessa Ferreira (UEPA)

Dra. Maria Glushkova (FAPESP/GP Diálogo USP/CNPq)

maria.glushkova@yahoo.com

O artigo representa o trabalho dos dois pesquisadores da área da estilística em línguas diferentes: o russo e o português do Brasil. São representadas as ideias sobre a estilística e a chegada dessa ciência no Brasil e na Rússia, reunidas pelo olhar bakhtiniano. A pesquisa mostra o desenvolvimento das ideias do Mikhail Bakhtin sobre estilo e gênero em diálogo com a escola da estilística funcional russa. O trabalho promove a análise comparativa do gênero 'resumo de artigo científico' em duas comunidades etnolinguísticas. O gênero é mostrado como uma forma fixa da comunicação científica, que se refrata e reflete a situação imediata da realidade científica em ambos países.

Lugares interincompreensivos e ambivalentes em anúncios publicitários que topicalizam a sexualidade

Ricardo Celestino (PUC-SP)

ricardo.celestino2003@gmail.com

Nossa pesquisa contribui para os estudos da Análise do Discurso e tem como tema o estudo dos efeitos de sentido presentes em anúncios publicitários que topicalizam a diversidade de gênero. Como amostra de nossa pesquisa, selecionamos um anúncio publicitário do Boticário, realizado em 2012, na ocasião de comemoração ao dia dos namorados. Nele identificamos marcas de um corpo estranho enunciado que possibilita observarmos uma polêmica interincompreensiva, fruto de seu lugar ambivalente na sociedade. A amostra selecionada serve de ponto de partida para refletirmos acerca da heteronormatividade, enquanto formação discursiva constitutiva dos discursos de anúncios publicitários, que propõe uma resposta exorcizante a um tema tão complexo na vida social cotidiana: a sexualidade. Como aporte teórico de nossa pesquisa, selecionamos a noção de interincompreensão proposta por Maingueneau (2008) que observa que a prática enunciativo-discursiva incide em ecos polêmicos fruto do diálogo que um discurso proporciona a uma memória de outros discursos com posicionamentos divergentes ou convergentes aos enunciados desenvolvidos. Também destacamos a importância dos estudos de Bauman (1999), em suas reflexões acerca da ambivalência, que incide na possibilidade de conferir a um objeto ou evento da sociedade mais de uma lógica racional. Consideramos que toda prática discursiva sofre pela limitação semântica fruto de seu lugar de fala, o que culmina em uma interação enunciativa a qual aquele que é tematizado não pertença em sua totalidade a nenhuma das restrições estabelecidas a cada lugar institucional de fala que se aproprie de seu corpo.

 

Interpretação de Libras para o Português em eventos acadêmicos: aspectos prosódicos e construção de sentidos

Ricardo Ferreira Santos (PUC-SP)

ricardo.libras@ifsp.edu.br

Desde que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira e a profissão do Tradutor e Intérprete de Libras/ Língua Portuguesa (TILSP) teve seu reconhecimento, as pessoas surdas passaram a se inserir com maior frequência no ambiente acadêmico, como participantes ou palestrantes, e a atuação do intérprete, nesse contexto, demanda articulações de cunho teórico-prático para que o discurso do surdo possa ser compreendido por interlocutores que desconhecem Libras. Atualmente a modalidade de interpretação simultânea de Libras para a Língua Portuguesa (LP) tem ganhado espaços em algumas atividades na esfera acadêmica, porém, devido à formação genérica e à falta de prática, alguns TILSP apresentam dificuldades e insegurança em mobilizar discursos e interações comunicativas nesta modalidade. O objetivo desta pesquisa é analisar a prosódia e a produção de sentidos na interpretação simultânea de Libras/LP em conferência e encontros acadêmicos. Entre os fatores importantes neste ato enunciativo-discursivo, destacam-se os conhecimentos interpretativos, o conhecimento de termos específicos, o conhecimento histórico e cultural e o contato com a comunidade surda. Nossas perguntas de pesquisa são: (i) como o intérprete analisa e processa a prosódia no discurso em Libras; (ii) como o intérprete constrói os sentidos na interpretação simultânea por meio da prosódia na LP. A pesquisa será fundamentada no conceito de sentido do Círculo de Bakhtin por meio da perspectiva dialógica da linguagem. Serão analisados materiais audiovisuais envolvendo os discursos em Libras dos locutores surdos/ouvintes (participantes) e as interpretações simultâneas na modalidade oral (LP) realizada pelos TILSP em dois eventos acadêmicos. Espera-se que este projeto contribua com as investigações da prosódia e construção dos sentidos entre as modalidades Libras/LP, com o propósito de contribuir para a formação do intérprete de Libras.

 

Aspas verbo-visuais: apresentação do conceito

Rodolfo Vianna (PUC-SP)

rodolfovianna@yahoo.com.br

Esta comunicação tem por objetivo apresentar os resultados da tese de doutorado na qual formulou-se o conceito de aspas verbo-visuais, construindo categorias de análise para o seu estudo. A hipótese perseguida foi: tomando o enunciado em sua dimensão verbo-visual, determinadas relações entre elementos verbais e visuais constitutivos dele podem se configurar como desdobramentos metaenunciativosopacificantes, em analogia à dinâmica da modalização autonímica que ocorre no plano verbal, e serem consideradas como aspas verbo-visuais. A hipótese sugere a possibilidade de ampliação do sentido de determinado elemento visual quando compreendida a dimensão verbo-visual constitutiva do enunciado, tal como ocorre quando as aspas são empregadas no plano estritamente verbal, ou seja, configurando-se como um tipo de presença/ausência a ser preenchida interpretativamente. As perguntas de pesquisa respondidas são três: 1) como compreender o processo de metaenunciação, constitutiva da modalização autonímica, no plano verbo-visual?; 2) O que seriam e como se constroem os desdobramentos metaenunciativosopacificantes (modalização autonímica) entre elementos verbais e visuais a partir da dimensão verbo-visual dos enunciados pertencentes ao corpus desta pesquisa? e 3) Quais as similaridades existentes entre as ocorrências das aspas verbo-visuais que possibilitam construir categorias de análise do fenômeno abordado? O corpus de análise é constituído por conjuntos noticiosos selecionados dos jornais impressos diários Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo coletados entre os dias 23/09/2012 e 20/10/2012, assim como de quatro exemplares da revista semanal Veja coletados no mesmo período. Na construção das repostas às perguntas de pesquisa, orientadas pela hipótese postulada, esta tese articula as formulações de Authier-Revuz sobre modalização autonímica, as concepções de enunciado concreto e de signo ideológico advindas do Círculo de Bakhtin, os estudos sobre verbo-visualidade desenvolvidos por Brait e o conceito de instância de enunciação complexa formulado por Maingueneau. A pesquisa, para além de confirmar a hipótese por meio das análises realizadas, apresenta três categorias de aspas verbo-visuais, a saber: a de relação direta entre elementos verbais e visuais, a de opacificação de elementos verbais no plano visual e, por fim, a de alegoria verbo-visual opacificante. A contribuição pretendida, tanto para a Linguística Aplicada quanto para os Estudos da Linguagem em geral, é a de delimitar a compreensão do fenômeno enunciativo-discursivo produtor de sentidos na articulação entre o plano verbal e visual do enunciado, postulando o conceito de aspas verbo-visuais, e o de oferecer categorias de análises passíveis de serem partilhadas por pesquisas futuras que se debruçarem sobre os efeitos de sentidos produzidos na articulação entre imagens e textos verbais.

 

O Ser em seus processos dialógicos: reapresentações da memória de um lugar em mídias digitais

Sônia Barreto de Novaes (ECA-USP)

soniapazqual@gmail.com

O ser transmuta-se rapidamente, seus tempos e lugares forçam-no a isso. Aparentemente permite-se abandonar-se em meios que versam falas programadas, palavras colocadas em sua boca e representadas em códigos que perpassam seu estar no mundo. Do Ser-aí (Dasein – HEIDEGGER, 2009) ou Ser-para-a-morte, Ser-em-dívida; passando pelo Ser-no-tempo (RICOEUR, 2007), aportamos o Ser-entre (NOVAES, 2104) no Ser-evento (BAKHTIN, 2010). Todas estas formas de abordagem do Ser recaem sobre sua temporalidade expressa, não apenas em sua condição, mas sobretudo em sua consciência/memória. A representação desta memória está, hoje, diretamente implicada em dispositivos cuja lógica obedece a um compromisso, meramente e aparentemente, algorítmico. Dentro desse aparato midiático o Ser se representa e reapresenta enquanto Ser-entre e Ser-evento. Assim, podemos observar processos dialógicos em diferentes graus se colocando em cena. Neste sentido, exploramos aqui o conceito do Ser-evento apresentado por Bakhtin em sua obra “Para uma filosofia do ato”. Procuramos afinar ou contrapor este conceito àquelas outras abordagens. Importa-nos aqui salientar seus aspectos dialógicos, destacando aqueles da não-finalizabilidade, bem como o da responsividade. Ainda trataremos de questões relativas às narrativas singulares, ao uso da rede social Facebook aliada à outras redes (abordadas aqui como mídias responsivas) e às ações culturais. Juntas, essas ações e uso das mídias, obedecendo a uma metodologia colaborativa de pesquisa, contribuíram significativamente na construção da memória do lugar. Conclui-se que, embora haja muito a ser feito em termos de institucionalização de lugares de memória, as redes sociais têm cumprido um pouco desta função. Tais redes oferecem múltiplas aberturas as quais perfazem seu uso, conquanto a criatividade seja imanente em seus processos contínuos. (Apoio: FAPESP – Processo 2010/16612-7)

 

A estilística nas gramáticas: uma análise comparativa

Sueli Pinheiro da Silva (USP/UEPA)

suelipinheiro2011@gmail.com

Pesquisas afirmam que os estudos estilísticos remontam à Retórica Clássica a qual incidia sobre discursos orais elaborados com o propósito de persuadir pelas escolhas pautadas em um modelo padronizado considerado culto ou, no caso da “Poética”, para fins estéticos (Martins, 2008). A Estilística, como ciência, teria “assumido esse lugar”, em outros termos, passando a ser considerada a própria superação da Retórica (Cressot, 1980). Preliminarmente, os estudos do estilo se situavam em duas perspectivas distintas: a estilística literária (representada por Vossler), a que caberia analisar as intenções do autor/escritor sua maneira individual de se expressar; e a estilística linguística (representada por Bally) a qual caberia estudar os efeitos expressivo-afetivos da língua. Há atualmente uma terceira perspectiva: a estilística sociológica seguida por Cristal e Dave, cuja abordagem situa-se na perspectiva da variação linguística. A partir de tais estudos e, partindo da perspectiva de Bakhtin (2013) acerca da importância e indissociabilidade da estilística no ensino de língua, propomos neste trabalho, uma análise comparativa baseada na abordagem estilística feita por uma gramática brasileira e uma gramática portuguesa. Trata-se de uma pesquisa voltada para os estudos dialógicos da linguagem, realizada num doutorado em andamento, cujos resultados parciais, por um lado, remetem a elementos situados no texto literário, predominantemente no que se refere às figuras de linguagem, mas também ao ritmo, à rima; por outro, a elementos que remetem aos campos da estilística, classificados como Estilística Fônica; Estilística Morfológica; Estilística Sintática e Estilística Semântica (Bechara, 1978). Neste caso, há distinção entre traço estilístico, o qual pode ser um desvio ocasional de norma gramatical que se impõe pela sua intenção estética; e erro gramatical, o desvio sem intenção estética. A estilística estaria, então, voltada “para a educação do sentimento estético”.

 

Uma perspectiva teórica sobre estilo e estilística no Círculo de Bakhtin e no Idealismo Alemão

TacianeDomingues (USP)

tacianedomingues@gmail.com

Na obra Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem (MFL), Valentin N. Volóchinov introduz as bases do que seria um método marxista de análise linguística: o método sociológico. Nesta obra, o autor expõe sua concepção básica da linguagem/língua (sendo a língua uma das manifestações da linguagem) segundo a análise sociológica e segundo a síntese dialética resultante do confronto entre as escolas IdealistischeNeuphilogie (Filologia Idealista Moderna, de tradição idealista alemã, considerada a tese) e Escola de Genebra (considerada a antítese). Neste trabalho, contrapusemos a noção de estilo e estilística de Karl Vossler, representante máximo da Filologia Idealista Moderna, à do Círculo de Bakhtin, com apoio em obras de Mikhail M. Bakhtin (cujo trabalho dentro do projeto do Círculo pendeu mais para a teoria literária, o que justifica sua importância nesta discussão) e do próprio Volóchinov. Elegemos dois conceitos-chave de ambas vertentes para discorrer sobre as bases monológica e dialógica de seus métodos: o monólogo autoral, presente na concepção de Vossler e enraizado em sua herança romântica e idealista, e o heterodiscurso social, cunhado por Bakhtin segundo as mesmas bases dialógicas presentes em MFL. Com esses conceitos em foco, comparamos análises estilísticas feitas por Vossler e Bakhtin e ressaltamos que suas diferenças sinalizam uma transição na investigação linguística, sendo a mais fundamental que o dialogismo trouxe à análise estilística a concepção do romance não mais como uma obra que mostra o gosto linguístico, a originalidade e o gênio criativo de seu autor, mas sim como a representação ou imagem, articulada pela individualidade do autor, de uma língua permeada por visões ideológicas contraditórias.

 

 “Once Upon a Time”... relações dialógicas na enunciação verbovocovisuais

Thainá Pereira Gonçalves

thaina.prince@gmail.com

A presente pesquisa é de natureza qualitativa com caráter descritivo, interpretativo e analítico dos enunciados recortados a partir da enunciação “OnceUpon a Time” (2011), de Adam Horowitz e Bom Singuer (macrocorpus de pesquisa). Utilizaremos o cotejamento de enunciados (microcorpus) a partir de cenas das seis temporadas da série em estudo, devidamente transcritas. Para investigar a produção dialógica na enunciação, considerando a relação de diálogo entre os sujeitos, realizaremos um estudo dos elementos que constituem a enunciação da série em foco, no viés da necessidade contemporânea das duas versões de toda a história e a consequente alteração no gênero e discurso dos contos de fadas. O método dialógico-dialético advindo dos escritos do Círculo de Bakhtin entende que o sujeito pesquisador e o objeto de estudo são transformados no processo da pesquisa. Isso significa dizer que a relação eu-para-o-outro e o-outro-para-mim encontra-se em um processo de interação, sendo a pesquisa uma forma também de dialogia: isso significa dizer que, por meio da pesquisa, o sujeito pesquisador se modifica pelos embates e conflitos travados com o objeto de estudo, assim como, por meio de um olhar singular de pesquisa, de uma vivência situada em um determinado espaço-tempo pelo pesquisador, o objeto também se modifica. Sob essa perspectiva, ao elegermos os enunciados que compõem a enunciação verbovocovisual de “Once Upon a Time”, traçaremos possíveis relações por meio de conceitos elaborados pelo Círculo de Bakhtin como diálogo, enunciado, enunciação, cronotopo, entonação, vida e arte, entre outros com vistas à análise do corpus. Portanto, descrever, interpretar e analisar os enunciados que operam na contradição das personagens analisadas que se remodelam durante a narrativa seriada possibilita trazer à tona as vozes e os diálogos que compõem a referencialidade da série com os clássicos contos de fadas, para investigar a construção dos sujeitos personagens.

 

O homem do subsolo diante do espelho: a inscrição do ethos irônico em Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoiévski

Tiago de Medeiros Soares (Universidade de Passo Fundo)

Ernani Cesar de Freitas (Universidade de Passo Fundo)

tiagodemedeiros20@gmail.com

O presente estudo, que se inscreve em uma perspectiva enunciativo-discursiva, busca analisar as marcas da linguagem irônica inscritas na novela Memórias do subsolo (1864/2009), de F. Dostoiévski, pela perspectiva da semântica global, cenografia e ethos discursivo. (MAINGUENEAU, 1984/2008, 1997, 2012). Caracterizado como um estudo descritivo e bibliográfico, com abordagem qualitativa, este artigo também adota os seguintes alicerces teóricos: sobre ironia, os pressupostos de Jankélévitch (1964), Muecke (1995), Schlegel (1997), Perrot (2006), Brait (2008) e Kierkegaard (1841/2010); sobre a poética dostoievskiana e ato ético responsável, os postulados de M. Bakhtin (2010, 2011, 2013). Um estudo dessa natureza se justifica pela possibilidade de investigar a ironia por meio de um itinerário teórico-metodológico que se debruça sobre a materialidade discursiva, em uma perspectiva distinta, portanto, das abordagens de cunho puramente filosófico e/ou psicanalítico. A análise do corpus revelou que a ironia, ao distanciar-se das imagens coletivamente comungadas, constitui uma singularidade, que, em um tempo e espaço unívocos e irrepetíveis, atua como fundamento da arquitetônica discursiva. A ironia contribui para a construção das cenas de fala, cujo enunciador denuncia suas verdades sobre o mundo, sem negar espaço, contudo, às vozes alheias. É nesta arena de vozes, instaurada pelo monólogo polifônico, que a dessacralização dos discursos mundanos é realizada.

 

A constituição e o funcionamento do gênero cours magistral na França: relações dialógicas

Vilton Soares de Souza (Instituto Federal do Maranhão / PUC-SP)

viltonsoares@ifma.edu.br

No contexto universitário francófono, os coursmagistraux foram apontados como o principal obstáculo dos alunos maranhenses em mobilidade internacional. Assim, nasce esta pesquisa, com o objetivo de conhecer a organização de uncours magistral e facilitar a adaptação dos alunos brasileiros em mobilidade acadêmica internacional em universidades francesas, refletindo sobre os limites e possibilidades das abordagens de ensino de línguas estrangeiras no Instituto Federal do Maranhão. Em um contexto maior, pretende-se minimizar os impactos dos alunos com a língua-alvo em uso e refletir sobre os limites e possibilidades de abordagens instrumentais no ensino de línguas sob novas demandas da mobilidade acadêmica internacional. O corpus é composto por entrevistas de quarenta e nove alunos e dois Cours Magistraux, disponibilizados no site do Collège de France e vivenciados pelo autor. Em termos teórico-metodológicos, a análise apoia-se na noção de gênero do discurso, conforme apresentados pela perspectiva dialógica advinda de Bakhtin e o Círculo. Além disso, encontra apoio nos trabalhos desenvolvidos na França sobre mobilidade acadêmica internacional, por pesquisadores diversos. Os resultados desvendaram algumas dificuldades dos estudantes brasileiros com o Cours Magistral: esse gênero multimodal, oralográfico, composto de lembretes, anúncios, temas disciplinares, discursos pedagógicos, repetições, reformulações, metáforas, entre outros. Para além de uma concepção de língua que parte da unidade linguística, do repetível, do sistema, ou seja, que é indiferente à vida, apagando a historicidade dos sujeitos, sugere-se uma abordagem do Français sur Objectif Universitaire com uma reflexão sobre o enunciado, os sentidos, o singular, em outras palavras, com o acontecimento real.

 

Perspectivas de uma escrita de si: análise comparativa de discursos no gênero autobiografia

Yuri Andrei Batista Santos (UESC)

VâniaLúciaMenezesTorga (UESC)

UrbanoCavalcante da Silva Filho (UESC)

batista.yuriandrei@gmail.com

A circulação de textos em primeira pessoa que tematizam a escrita de si em tons (auto) biográficos é presença cada vez mais marcante na atualidade. Não somente em gêneros tradicionais da esfera literária, mas também sob outras formas que têm se proliferado cada vez mais numa sociedade altamente midiatizada. Essa proposta de comunicação objetiva apresentar uma análise comparativa de discursos no gênero autobiografia considerando-o em relação à confluência de formas (auto) biográficas que compõem o horizonte contemporâneo do espaço biográfico (ARFUCH, 2010). Pressupomos, nesse sentido, que o processo de (auto) biografar uma existência através dos contornos de uma obra literária confere-lhe a possibilidade de um constante reinvertar-a-si sob o olhar do outro na grande temporalidade. Permite-se, então, a constante reconstrução das vivências que marcaram uma vida e, portanto, circulam no espaço da memória. Ao mesmo tempo, é oportunizado ao outro, através da experiência de leitura e das (re) significações ali envolvidas, a possibilidade de interagir e reformular o seu mundo particular. Nossa abordagem teórico-metodológica centra-se no diálogo entre estudos voltados para análise comparativa de discursos (MUNCHOW, 2006; TRAVERSO, 2006; CLAUDEL, 2013; GRILLO, 2016) e os postulados do círculo bakhtiniano. Pensando na esteira da metalinguística bakhtiniana, buscamos comparar construções discursivas produzidas em contextos linguísticos e extralinguísticos distintos. Nosso corpus é então composto por duas autobiografias de autores conceituados em seus respectivos contextos: Por parte de pai (1995) do brasileiro Bartolomeu Campos de Queirós e El cuarto de atrás (1978) da espanhola Carmen Martin Gaite. Observamos, dentre outros pontos, que o estilo da escrita de si nas obras analisadas colocam o dizer em suspensão, indiciando, por meio da alusão, a uma ampla possibilidade de sentidos.  (Apoio: CAPES)