Cadernos de resumos/Résumés/Аннотации

CADERNO DE RESUMOS

I Colóquio Brasileiro-Franco-Russo em Análise de Discurso (CBFR-AD)

Análise de discursos e comparação: questões teóricas, metodológicas e empíricas

Data: 7, 8 e 9 de Novembro de 2017

Local: Auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP - Campus SP


Mesa de abertura

L’analyse du discours en mouvement : quelles catégories discursives pour les blogs de vulgarisation scientifique ?

Sandrine Reboul, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle

L’analyse des blogs de vulgarisation scientifique invite à s’interroger sur les limites de l’analyse du discours. On pourra d’abord s’étonner d’un déploiement de la vulgarisation scientifique dans des espaces discursifs impossibles à envisager en amont, certes parce qu’internet n’existait pas mais surtout parce que les figures du vulgarisateur étaient identifiées (scientifique ou journaliste vulgarisateur) et semblaient stables, le “troisième homme”. Dans cette analyse comparative à l’intérieur d’une langue, le français, on cherchera à identifier une possible “communauté ethnolinguistique” autour des blogs, à moins qu’il ne soit plus approprié de parler de “sphères langagières” ou bien de croisement de différentes sphères. Parler de “sphères” d’activités langagières, c’est aussi s’interroger sur le dialogisme et les genres. Comment analyser un discours hétérogène et en mouvement qui est traversé par de nombreux énonciateurs ? Derrière le discours de vulgarisation scientifique, il y a les discours des scientifiques (hétérogénéité constitutive) mais avec les blogs émergent des discours “commentés”, des discours “re-diffusés” dans lesquels peuvent toujours intervenir de nouveaux énonciateurs. L’ouverture sur le plurilogue imprévisible que permet le blog conduit vers un/des discours multiforme(s). Peut-on parler de nouveau genre ? Faut-il recourir à un genre “hybride”. Enfin, on soulèvera la question du sémiotique. Comment l’analyse du discours peut-elle englober cet au-delà du langagier apporté par les “technologies discursives” ?

Linguoculturologia: a ciência sobre a língua e a cultura

Dária Aleksándrovna Chúkina, Universidade Górnyi – Saint Petersburg

O objetivo desta apresentação é mostrar ao público brasileiro os desenvolvimentos modernos de cientistas russos no campo da comunicação, linguística, estudos culturais e psicologia. Da intersecção dessas disciplinas foi formada, durante as décadas de 1990 e 2000, a linguoculturologia – uma  ciência da língua e da cultura, da influência mútua da língua sobre cultura e da cultura sobre a língua. Esta disciplina estuda como a cultura se reflete e refrata na linguagem e como a linguagem é formada sob a influência da cultura. A língua pode ser compreendida como um meio de reflexão concentrada da experiência coletiva. Nesta apresentação faremos: i) um breve apanhado dos antecedentes da linguoculturologia; ii) menção às outras ciências que exercem influência sobre ela e iii) abordaremos as diferentes definições sobre a linguoculturologia, definindo-a por fim como uma ciência filológica teórica que explora as diferentes maneiras de representar o conhecimento sobre o mundo numa língua dada. O objetivo desta ciência, portanto, é identificar oposições básicas da cultura manifestadas no discurso através  de unidades linguísticas nos seguintes níveis: o vocabulário não equivalente e as lacunas; as unidades linguísticas mitologizadas; fundações paremiológica e fraseológica da linguagem; estalões, estereótipos e símbolos; metáforas e figuras de linguagem, dentre outras. Unidades fraseológicas são definidas como unidades linguísticas ricas de significado cultural que podem atuar como um sistema de signos, ao invés de uma linguagem natural. Usaremos exemplos dessas unidades em russo, faremos sua comparação com unidades fraseológicas do japonês e abordaremos as terminologias e unidades do estudo linguoculturológico (logoepistema, linguoculturema, linguosapientema, conceito). Por fim, discutiremos a importância da imagem linguística do mundo, conceito primeiramente apresentado no final do século XIX/início do século XX. Essas questões devem formar um quadro geral da linguoculturologia. Essa disciplina compara línguas e culturas diferentes, a exemplo de língua russa, porém ainda não há trabalhos com o português.

Construindo fundamentos teórico-metodológicos para análises comparativas de discursos: os documentos oficiais de educação básica no Brasil e na Rússia

Sheila Vieira de Camargo Grillo Diálogo (GP/CNPq/USP), Universidade de São Paulo

Nesta conferência, daremos continuidade à construção de fundamentos teórico-metodológicos para análises comparativas de discursos iniciados em dois trabalhos anteriores (GRILLO/HIGASHI, no prelo; GRILLO/GLUSHKOVA, 2016). A elaboração dessa abordagem ancora-se, por um lado, em conceitos advindos das obras do Círculo de Bakhtin e, por outro, nas análises comparativas desenvolvidas no CLESTHIA-Cediscor. Da obra bakhtiniana, tomaremos:1) o princípio da consciência da relatividade ideológico-discursiva e do caráter humano; 2) a análise da literatura na relação com as demais esferas culturais contemporâneas e com obras literárias do passado próximo e distante, a fim de identificar visões e assimilações de aspectos do mundo - tradicionais e inovadores - que se revelam de modo privilegiado nos gêneros; 3) o encontro dialógico entre culturas permite não só uma melhor compreensão da cultura alheia, mas também um enriquecimento mútuo entre elas. A própria base da existência do sentido é o encontro entre o um e o outro. Dos trabalhos do Cediscor: 1) o conceito de “cultura discursiva” como as manifestações discursivas das representações sociais em circulação em uma determinada comunidade sobre os objetos em sentido amplo e sobre os discursos a respeito desses objetos, pois o conceito de “cultura discursiva” tem a vantagem de permitir a descrição de traços culturais comuns que ultrapassam uma comunidade etnolinguística; 2) a assunção do gênero discursivo como tertium comparationis pertinente para a comparação do semelhante e para a configuração da comunidade discursiva, uma vez que o gênero pode ser o lugar de encontro, na teoria bakhtiniana, entre as influências de outras esferas e de constatação da influência de autores de outras línguas bem como de obras do passado. Esses princípios serão aprofundados e ampliados por meio da análise comparativa entre a “Base Nacional Comum Curricular” (Brasil, 2016) e Padrão educacional do governo federal para o ensino médio (Rússia, 2014/2015).


Mesa 1

L’analyse du discours contrastive, un voyage au cœur du discours

Patricia von MÜNCHOW, EDA, Université Paris Descartes

Dans cette conférence, je présenterai d’abord le cadre théorique et méthodologique de « l’analyse du discours contrastive » (ADC) telle que je la pratique depuis une quinzaine d’années. C’est une approche qui se situe à l’intérieur des sciences du langage, au carrefour de l’analyse du discours française, de la linguistique textuelle et des approches contrastives ou « transculturelles ». Son objet est la comparaison de différentes cultures discursives, notion qui recouvre la construction/manifestation discursive des représentations sociales circulant dans une communauté sur les objets sociaux, d’une part, et sur les discours à tenir sur ces objets sociaux, d’autre part. C’est en tant que linguiste, en partant d’opérations discursives, que je m’efforce d’atteindre ces représentations sociales. On se concentrera ensuite, en articulant l’évolution de l’ADC à celle de l’analyse du discours française, sur l’attitude adoptée face à l’hétérogénéité du discours, sujet qui croise la question du traitement de ce qui est non-dit et « peu-dit ». Ce faisant, on montrera ce qu’apporte l’ADC sur le plan descriptif et notamment ce en quoi une étude contrastive de deux corpus permet de dépasser la somme des résultats des études non contrastives de chacun des corpus. À l’aide de quelques résultats de l’analyse d’un corpus de manuels scolaires d’histoire français et allemands, on montrera comment on a pu passer d’une conception plutôt (ou trop) homogène du discours à une plus grande prise en compte d’une certaine hétérogénéité discursive, hétérogénéité qui s’est d’abord imposée sur le plan descriptif et interprétatif avant d’être pensée sur le plan méthodologique et théorique en continuité de la réflexion « classique » en analyse du discours sur le préconstruit et des travaux plus récents sur les « prédiscours ».

 

O gênero entrevista oral científica sob uma análise comparativa discursiva

Maria GLUSHKOVA, Diálogo (GP/CNPq/USP), Universidade de São Paulo, FAPESP

O gênero de entrevista é um dos mais populares nos meios de comunicação. As mídias modernas exploram o estilo individual e a opinião do autor, sendo o gênero da entrevista uma forma de diálogo informal. A entrevista permite ao autor informar o público sobre eventos, projetos, problemas atuais e manifestar-se sobre questões importantes. Neste estudo, são analisadas entrevistas orais com cientistas sobre assuntos relacionados à ciência. Este gênero combina a expressividade e avaliações do autor com normas da comunicação pública e jornalística. Em parte, a subjetividade e a expressividade do entrevistado e do entrevistador explicam o uso de unidades coloquiais em suas respectivas falas. No entanto, a tendência a seguir normas da fala pública e os padrões do estilo científico gera recursos adicionais para este gênero: argumentação, a intenção de ser ou parecer objetivo, o manuseio de fatos e termos e a neutralidade do discurso. Esses recursos são implementados na natureza nominal do discurso, na originalidade da fraseologia (usando clichês e não unidades fraseológicas figurativas). Uma característica especial deste gênero são os diferentes níveis, a saber: o jornalista, agente que direciona o diálogo através de suas perguntas e leva em conta a recepção do leitor ou ouvinte, e o cientista, representante da ciência que responde as perguntas. A comparação discursiva neste sentido está feita com ênfase no fundo perceptivo (segundo Bakhtin) do leitor ou ouvinte. O tertium comparationis (a terceira parte da comparação) são as características do gênero nas duas línguas e culturas: o português do Brasil e o russo. O corpus da comparação representa ambas as línguas e comunidades etno-culturais. Os fundamentos teórico-metodológicos foram construídos na confluência entre a teoria bakhtiniana e a análise comparativa do discurso dos pesquisadores do Cediscor (Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3).


Mesa 2

Comparer des genres de discours en français et en japonais : questionnements théoriques et méthodologiques

Chantal CLAUDEL, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle, Université Paris 8 – Vincennes-Saint-Denis

Comparer des données issues d’un même genre de discours (interview de presse, courrier électronique, etc.) produit dans des langues et des cultures différentes – en l’occurrence, le français et le japonais – implique, préalablement à l’analyse, la nécessité de conduire une réflexion sur la nature des outils théoriques et méthodologiques à mobiliser pour mener à bien ses objectifs de recherche. Plus précisément, la démarche consiste à interroger les cadres théoriques à disposition dans les communautés ethno-linguistiques engagées dans l’étude pour en mesurer le degré de pertinence au regard du projet comparatif et construire un dispositif d’analyse s’accordant aux buts fixés. Le choix des catégories d’analyse obéit à la même logique. Leur mise en évidence doit s’effectuer non à partir de phénomènes caractéristiques d’un des idiomes, mais en fonction des spécificités des deux langues et cultures contrastées. En outre, qu’elles soient méta-cognitives, énonciatives ou pragmatiques, les catégories retenues sont à accorder aux données soumises à la comparaison. Ces orientations sont celles adoptées dans cet article qui prend pour point de départ la notion de genre de discours, pour ensuite éclairer la place revêtue par cette entrée en comparaison et rendre compte de son rôle de tertium comparationis ou invariant de la comparaison. Il s’en suit une illustration de la démarche privilégiée à travers la présentation de la façon dont s’est élaborée la notion métacognitive de “figure” pour étudier l’interview de presse, et du cheminement emprunté pour traiter certains actes de langage caractéristiques du courrier électronique à la faveur de la politesse linguistique.

 

Une analyse de discours contrastive des discours professionnels

Geneviève TRÉGUER-FELTEN, Clesthia-Cediscor, Université Paris III Sorbonne nouvelle

Mise à l’épreuve de discours d’entreprise produits en langue maternelle ou en anglais lingua franca au sein de communautés ethnolinguistiques différentes, l’analyse de discours contrastive (ADC) (von Münchow, 2011) fait émerger des dissemblances d’ordre énonciatif, lexical ou syntaxique qui se conjuguent pour dessiner des portraits discursifs distincts. Interprétés à la lueur des apports de domaines aussi variés que l’ethnologie, la philosophie, ou la psychologie, ces portraits renvoient à des univers de sens distincts, propres aux cultures nationales en présence (d’Iribarne, 1989, 2008). Appliquée d’une part à des auto-présentations en anglais lingua franca (sur papier ou en version numérique) par lesquelles des entreprises françaises et chinoises cherchent à établir leur identité sur la scène internationale ; d’autre part aux bi-textes que représentent une même charte éthique en anglais et sa traduction en français, l’ADC prouve sa capacité à faire émerger des discours la réalité telle que la voient les locuteurs (Benveniste, 1966) et la trame sociale dans laquelle ils s’inscrivent (Bakhtine 1977[1929]), autrement dit, le contexte au sens large (Moirand, 2006). Après avoir exposé les modalités ayant présidé à l’usage de la méthodologie, nous prélèverons des exemples dans ces deux approches linguistiques différentes pour illustrer la manière dont l’ADC a permis de faire émerger la spécificité des univers de travail des entreprises françaises, chinoises et étatsuniennes, pourtant réputées unies par le discours au sein d’une même communauté professionnelle internationale (Swales, 1998).

Mesa 3

Comparaison et analyse du discours : l’exemple de la sémantique discursive en contraste

Michele PORDEUS RIBEIRO, Diálogo (GP/CNPq/USP), Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

Dans cette communication, je présenterai l’approche dans laquelle se développent mes recherches en comparaison et que j’ai récemment appelée « sémantique discursive en contraste ». Depuis ma thèse, soutenue en 2015, j’essaie de mettre en place une articulation entre sémantique et analyse du discours contrastive : dans cette approche, les discours, issus de langues et cultures diverses, sont abordés à partir d’un ensemble de mots précis, des mots-pivots, sur lesquels on fait porter une réflexion de nature sémantique à visée contrastive. L’analyse s’appuie sur la notion de « profil sémantique » et privilégie l’étude des cotextes dans lesquels se trouvent les mots sélectionnés. Afin d’illustrer la démarche, je propose d’étudier la façon dont la question de l’inégalité est abordée dans les champs politiques brésilien et français. Le corpus sur lequel se fonde l’étude est composé d’un ensemble de documents officiels produits par le Partido dos Trabalhadores brésilien et par le Parti socialiste français (chartes, déclarations de principes, délibérations). L’objectif de ce travail est d’établir le profil sémantique des mots « inégalité(s) » et « desigualdade(s) », à partir des constructions dans lesquelles ces mots se trouvent (« réduire les inégalités », « diminuir as desigualdades, etc.), mais aussi à partir des associations avec d’autres mots (« pauvreté », « pobreza », etc.). Je fais l’hypothèse que l’analyse contrastive mettra au jour des différences entre les corpus, des différences qui sont à mettre en lien avec les contextes des deux pays. L’étude des corpus sera précédée d’une analyse des discours des dictionnaires français et brésiliens (TLF, Le Petit Robert, Aurélio, Houaiss) : cette analyse permettra de faire ressortir les représentations qui sont associées aux mots de façon stable et partagée. Cette communication prolonge mes réflexions, présentées lors du dernier SIAD, sur le profil sémantique d’« inégalité(s) » dans la presse française.

A linguagem da Escola Semiótica de Tártu-Moscou e as traduções brasileiras

Ekaterina Vólkova Américo, Diálogo (GP/CNPq/USP), Universidade Federal Fluminense

O estudo comparativo dos textos dos integrantes da Escola Semiótica de Tártu-Moscou (1960-1980) em geral e de Iúri Lotman em particular, originalmente escritos em russo, e das suas traduções para a língua portuguesa representa um campo fértil para uma análise da recepção e da interpretação da linguagem "codificada" dos semioticistas russos no Brasil. Em nossa análise, partimos da tese, formulada por Valentin Volóchinov, de que palavra é um fenômeno ideológico par excellance que reflete e retrata a realidade circundante. A ideia sobre o papel essencial do contexto na análise semiótica foi desenvolvida posteriormente pela semiótica da cultura e, em especial por Iúri Lotman. Além disso, baseamos a nossa análise comparativa nas conclusões teóricas elaboradas no âmbito do Grupo de Pesquisa Diálogo, USP (GRILLO, GLUSHKOVA, 2015). Observamos a formação, após a Revolução de 1917, da nova linguagem soviética e, em contrapartida, o surgimento do novo discurso das ciências humanas que empregava as formas mais refinadas da linguagem esópica. O uso da linguagem codificada, nos trabalhos dos semioticistas soviéticos, foi motivado pelo desejo, por parte dos representantes da Escola, de serem compreendidos pelo círculo e não compreendidos por possíveis intrusos indesejáveis do governo soviético. O próprio termo central da Escola - os "sistemas modelizantes secundários" - foi sugerido por Vladímir Uspiénski com o objetivo de substituir a palavra "semiótica", associada à semiótica ocidental. Outro traço que observamos nos artigos é o seu caráter resumido: alguns deles foram até escritos em forma de teses. Objetivamos verificar se essas e outras peculiaridades dos textos russos foram preservadas e comentadas pelos tradutores brasileiros ou não, bem como analisar as soluções apresentadas por eles.


Mesa de encerramento

Exigences méthodologiques et apports théoriques des comparaisons entre genres discursifs d’une langue à l’autre et à l’intérieur d’une même langue

Sophie MOIRAND, Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

On reviendra d’abord de manière critique sur des travaux déjà publiés :  – sur les genres du discours : réflexions théoriques sur “les índices de contextualisation” dans le cadre de l’analyse du discours française (Moirand, Cahiers de praxématique 2000, en ligne sur revues.org),– analyses sur “les interactions sociodiscursives” en lien avec les concepts bakhtiniens (Moirand, Tranel 40, 2004, en ligne sur revues.org) – travaux sur les observables et les catégories (Moirand, à paraître dans Semiotica, 2017, en ligne sur archives-ouvertes.fr)], qui permettent de différencier les genres écrits et oraux à l’intérieur d’une même sphère d’activité langagière et d’une sphère d’activité à une autre (Grillo de Camargo, Linx 56, 2007, en ligne sur revues.org.). Ce retour critique conduira à mettre au jour les exigences méthodologiques d’un travail descriptif sur “les genres du discours” (Moirand 2003, en ligne sur scholar.google.fr et archives-ouvertes.fr), et de l’inscrire dans une perspective comparatiste (intralinguale ou interlingual, interdiscursive et intradiscursive). Car la réflexion sur les concepts, les catégories, et leur fonctionnement dans des travaux comparatistes, conduit in fine à s’interroger également  sur ce que ces analyses apportent aux conceptions théoriques du discours, ainsi qu’aux conceptions renouvelées d’une sémantique discursive centrée sur l’(in)stabilité du sens en discours, et ouverte sur les extérieurs du discours ainsi qu’aux relations langues/cultures. (Cislaru 2012, Langue française 188, 2015, Moirand dans RELIN, Revista de Estudios da Linguagem, v.26, n.3, 2016, Lecolle et Veniard éd. à paraître dans Langages, Claudel, von Münchow, Ribeiro et al., Cultures, discours, langues. Nouveaux abordages, Lambert-Lucas, 2013). Enfin, dans la mesure où cette communication intervient dans une table ronde de clôture, on essaiera de tenir compte des conférences et discussions qui auront lieu lors de cette rencontre.

Communication institutionnelle, publics cibles et représentation des savoirs : comparaison des fonctionnements discursifs interlocutifs

Florimond Rakotonoelina, Clesthia-Cediscor, Université Sorbonne nouvelle – Paris 3

On se propose d’observer les discours de transmission des connaissances à partir de trois paramètres : premièrement, en prenant appui sur les sites des agences ou des missions gouvernementales – on parlera alors de communication institutionnelle, comme les sites gouvernementaux consacrés aux économies d’énergie, à la prévention des addictions, à l’interruption volontaire de grossesse, etc. ; deuxièmement, en tenant compte de la pluralité des publics envisagée par ce type de communication – ainsi, la communication institutionnelle de prévention contre la radicalisation (religieuse) ne vise pas seulement les publics adolescents mais aussi les parents ; troisièmement, en prenant pour référence, à l’intérieur d’un même domaine communicationnel, les mêmes objets de discours – par exemple, dans le cas de l’alimentation, les besoins nutritionnels tantôt pour l’adulte, tantôt pour l’adolescent, tantôt pour la femme enceinte, etc. Pour comprendre les fonctionnements discursifs interlocutifs, l’entreprise comparative sera triple : il s’agira d’abord de circonscrire/comparer les logiques pragmatiques qui régissent les domaines communicationnels – qu’est-ce qui distingue ou non une communication centrée sur la prévention contre la radicalisation et sur la prévention contre les addictions ? ; il s’agira ensuite, à l’intérieur d’un domaine et entre les domaines retenus, d’identifier/comparer les logiques énonciatives qui régissent la pluralité des publics cibles – qu’est-ce qui distingue un public adulte d’un public adolescent ? ; il s’agira enfin, à partir des connaissances constituées en objets de discours, de cerner/comparer les logiques éducatives (cognitives et sémantiques) qui les gouvernent par domaines et par publics – quand il s’agit de radicalisation ou d’addiction, comment fait-on savoir et pour qui?


COMUNICAÇÕES